A empresa intermunicipal Resialentejo, com sede em Beja, anunciou a adjudicação e o arranque iminente das obras de ampliação do seu canil e gatil (CAGIA) localizado no Parque Ambiental do Montinho. O projecto representa um investimento superior a 650 000 euros e pretende reforçar a capacidade de acolhimento e a qualidade das respostas ao problema dos animais errantes na região.
Segundo a empresa que gere a recolha e valorização dos resíduos urbanos em oito concelhos do distrito, a intervenção tem um prazo de execução de 240 dias e inclui a construção de novas infraestruturas veterinárias e de acolhimento. A iniciativa surge no contexto de uma problemática nacional apontada pela Direção‑Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), que em 2025 registou recolhas de cerca de 40 000 animais pelos CRO, com pouco mais de 22 000 adoções.
“Com mais espaço e melhores condições, conseguiremos acolher mais animais, prestar-lhes os cuidados necessários e aumentar as oportunidades de adoção responsável”, afirmou Mário Tomé, presidente do conselho de administração da Resialentejo.
O projecto contempla a construção de 50 boxes vocacionadas para canídeos, um módulo destinado a sala de tratamentos veterinários, uma área dedicada ao armazenamento de ração e quatro celas de isolamento para quarentenas. A intermunicipal sublinha também o compromisso de esterilizar todos os animais que passem pelo alojamento, medida que pretende reduzir a reprodução descontrolada e a pressão sobre os centros de recolha.
O que muda para os municípios e para os munícipes
Para os oito concelhos servidos pela Resialentejo, a ampliação traduz‑se numa capacidade acrescida de resposta a situações de abandono e de animais errantes, potencialmente reduzindo deslocações para centros mais distantes e os tempos de permanência dos animais antes de adoção. A existência de instalações próprias de tratamento veterinário facilita intervenções rápidas e diminui custos logísticos associados a cuidados de saúde animal.
- Aumento da capacidade de acolhimento e melhor logística de adoção.
- Estrutura veterinária no local para tratamentos e esterilizações.
- Melhores condições de quarentena, reduzindo riscos sanitários.
Além do impacto direto sobre o bem‑estar animal, a operação pode ter efeitos secundários nas comunidades locais: mais campanhas de adoção, oportunidades para voluntariado e necessidade de coordenação entre câmaras municipais e a Resialentejo para encaminhamento e gestão dos animais.
O anúncio da obra surge numa altura em que a gestão dos animais errantes continua a ser um desafio reconhecido a nível nacional. A Resialentejo descreve o investimento como uma tentativa de contrariar respostas fragmentadas e insuficientes, apostando na criação de uma infraestrutura de referência para toda a região do Baixo Alentejo.
| Item | Descrição |
|---|---|
| Investimento | €650 000+ |
| Prazo de execução | 240 dias |
| Capacidades novas | 50 boxes para canídeos; 4 celas de isolamento; módulo veterinário; área de ração |
Os habitantes dos concelhos afetos à Resialentejo podem acompanhar o desenvolvimento das obras através dos canais oficiais da empresa. A ampliação do CAGIA pretende não só acolher mais animais, mas também promover processos de adoção responsável e reduzir, a médio prazo, a pressão sobre os centros de recolha oficiais.