Falta de acesso a numerário preocupa comunidades rurais do distrito
Um relatório do Banco de Portugal identificou que, no final de 2025, seis freguesias do distrito de Beja não tinham nenhum ponto local de acesso a numerário — nem caixas automáticos, nem balcões bancários, nem serviços de levantamento em estabelecimentos comerciais. Essas freguesias concentravam 4.228 residentes e totalizavam uma área de 855 quilómetros quadrados.
A ausência de equipamentos locais de levantamento obriga muitos habitantes a deslocarem-se para fora da sua freguesia sempre que necessitam de dinheiro em espécie, o que acentua constrangimentos para pessoas com mobilidade reduzida, idosos e quem depende de transportes públicos pouco frequentes.
- Beja é o único concelho alentejano incluído entre os 11 concelhos nacionais com maiores desafios no acesso a numerário, segundo o Banco de Portugal.
- O levantamento abrangeu os distritos de Beja, Évora e Portalegre, totalizando 22 freguesias sem pontos locais de levantamento.
- As 22 freguesias identificadas eram todas classificadas como áreas rurais pelo Banco de Portugal.
Os números divulgados mostram ainda que, no conjunto dos três distritos, viviam nessas freguesias 12.372 pessoas. No caso do distrito de Évora, foram identificadas 10 freguesias nesta situação, com 6.010 habitantes; em Portalegre constavam seis freguesias com 2.134 residentes.
| Distrito | Freguesias sem pontos | Habitantes | Área (km²) |
|---|---|---|---|
| Beja | 6 | 4.228 | 855 |
| Évora | 10 | 6.010 | 618 |
| Portalegre | 6 | 2.134 | 426 |
O Banco de Portugal sublinha que a inexistência de um equipamento dentro dos limites de uma freguesia não implica, por si só, que os residentes enfrentem dificuldades, porque podem existir pontos de levantamento em freguesias vizinhas a curta distância. Ainda assim, a identificação de Beja entre os concelhos com maiores desafios realça um problema com repercussões práticas para as populações locais.
Para além do incómodo direto de ter de se deslocar para levantar dinheiro, a falta de pontos de acesso tem efeitos colaterais: reduz o apoio presencial para operações bancárias para quem não usa meios digitais, condiciona a atividade de comércio local que dependa de pagamentos em numerário e pode aumentar a dependência de terceiros para deslocações.
Em termos práticos, os municípios e as juntas de freguesia podem avaliar medidas de mitigação, como a promoção de serviços móveis de tesouraria, acordos com estabelecimentos comerciais para prestar levantamentos ou campanhas de literacia financeira para facilitar o recurso a pagamentos digitais quando possível. Ainda assim, qualquer solução exige coordenação entre instituições financeiras, autarquias e entidades regionais, tendo em conta as especificidades demográficas e de transporte do território.
O relatório do Banco de Portugal não inclui os concelhos alentejanos pertencentes ao distrito de Setúbal, pelo que não permite obter um total exaustivo para toda a região administrativa do Alentejo. A fotografia agora disponível, contudo, aponta para um desafio persistente em territórios rurais que combina envelhecimento populacional, dispersão e redução da oferta de serviços presencias.