Um tribunal australiano decidiu que um reformado por invalidez terá de remover três galos da sua propriedade depois de várias queixas de vizinhos relativas ao ruído provocado pelo canto das aves. O homem alegava que os animais prestavam apoio emocional na gestão de uma perturbação de stress pós‑traumático, mas a autoridade judicial concluiu que o impacto sonoro excedia o aceitável numa zona exclusivamente residencial.
O que determinou a sentença
A decisão obriga o proprietário a retirar os galos no prazo de 14 dias e impõe ainda a proibição de manter outros animais na habitação. O tribunal condenou igualmente o homem ao pagamento das custas do processo. Para fundamentar a decisão, a autarquia apresentou um estudo acústico que revelou que a vizinhança é habitualmente muito tranquila, o que tornava o canto das aves claramente audível e dominante durante grande parte do dia.
Considerando o ruído "inaceitável" para uma pessoa razoável, a juíza concluiu que a presença dos galos afectava a qualidade de vida da comunidade.
Impacto sobre a comunidade e o arguido
Diversos moradores relataram ouvir os galos antes do amanhecer, com o som a alcançar o interior das casas mesmo com portas e janelas fechadas. Na sentença, a magistrada deixou também claro que a condição clínica do proprietário não foi posta em causa e que a decisão não constituía discriminação em razão da sua deficiência, mas sim uma ponderação entre o direito ao apoio emocional e o direito colectivo ao sossego.
- Recurso à prova acústica: a autarquia apresentou um estudo que sustentou a reclamação pelo ruído.
- Direitos em tensão: o tribunal entendeu que o apoio emocional não pode sobrepor‑se ao descanso dos restantes residentes.
- Sanções: retirada das aves em 14 dias, proibição de novos animais e pagamento das custas.
Conseqüências práticas e debate público
O caso levanta questões relevantes sobre a regulamentação de animais de apoio emocional e os limites da sua presença em áreas residenciais. Para além do impacto imediato sobre o proprietário, a decisão pode ser invocada em futuros processos que envolvam conflitos entre necessidades individuais de apoio e o direito colectivo ao sossego. A sentença sublinha a importância de avaliações objectivas — como estudos acústicos — quando se disputam interesses em comunidade.
| Ação | Determinação |
|---|---|
| Remover os galos | Prazo de 14 dias |
| Manter outros animais na habitação | Proibido |
| Responsabilidade financeira | Pagamento das custas do processo |
Mesmo tratando‑se de um caso ocorrido na Austrália, a decisão motiva reflexão sobre políticas locais e nacionais relativas a animais de companhia e de apoio emocional, sobretudo em ambientes urbanos densos e tranquilos onde o ruído é mais percetível.