Turistas de longa distância impulsionam receitas e privilegiam restauração
O relatório Barómetro de Pagamentos no setor do turismo 2026, elaborado pela Inmark para a Mastercard, traça um mapa claro dos perfis de despesa em Espanha em 2025. Aquele país recebeu 96,8 milhões de turistas internacionais e contabilizou um total de 134.712 milhões de euros em receitas, segundo o documento. Um dado de leitura imediata: os visitantes de maior distância geográfica são também os que desembolsam mais por viagem.
Em termos médios por viagem, o turista estrangeiro deixou em Espanha 2.618 euros, um valor que supera em 36% o gasto médio dos espanhóis quando viajam para o estrangeiro (1.926 euros), segundo a análise. A restauração assume um peso significativo: quase um terço da despesa total dos visitantes destina-se a restaurantes, bares e cafeterias, o que reforça a importância da oferta gastronómica local para capturar receitas de turismo.
O estudo destaca claramente uma hierarquia por origens: os viajantes de fora da União Europeia ocupam os primeiros lugares do ranking de gasto médio por viagem. Em ordem, os valores médios por viagem apontados na análise são os seguintes.
- Japão: 3.925 euros
- México: 3.320 euros
- Colômbia: 3.178 euros
- Estados Unidos: 3.148 euros
- França: 1.611 euros
- Itália: 1.555 euros
"se vai perfilando o modelo de um crescimento sereno onde os elementos qualitativos a cada vez são mais relevantes com respeito aos aspectos quantitativos"
As diferenças entre mercados são nítidas: enquanto japoneses, mexicanos e colombianos surgem como os mais dispendiosos por viagem, mercados emissores tradicionais e próximos como França e Itália apresentam orçamentos médios mais moderados. Essas discrepâncias derivam, em parte, da duração média das viagens, do perfil de consumo e da propensão a gastar em compras, restauração e experiências locais.
Impactos para o setor e implicações práticas
Para agentes do setor do lazer, restauração e retalho, o barómetro aponta oportunidades concretas. Turistas não comunitários tendem a dedicar maior proporção do orçamento a compras em lojas locais e a experiências gastronómicas. Fora dos rubros de transporte e alojamento, essa propensão a consumir em lojas locais é particularmente visível: os visitantes de fora da UE destinam uma percentagem significativa do seu orçamento às compras presenciais, com particular ênfase em certos mercados, como os Estados Unidos.
Num quadro prático, operadores e destinos podem ajustar estratégias de comunicação, ampliar opções de pagamento internacionais e reforçar a oferta culinária para captar maior valor por visitante. Do mesmo modo, cidades e centros de lazer devem ponderar programar ofertas que privilegiem qualidade e experiências, numa lógica que o próprio relatório associa a um "crescimento sereno" do turismo.
| Origem | Gasto médio por viagem (euros) |
|---|---|
| Japão | 3.925 |
| México | 3.320 |
| Colômbia | 3.178 |
| Estados Unidos | 3.148 |
| França | 1.611 |
| Itália | 1.555 |
A leitura do barómetro sugere ainda que, excluindo custos fixos como transporte e alojamento, há nuances na composição dos gastos por nacionalidade: alguns mercados alocam mais orçamento a compras em lojas locais, outros privilegiando restauração e experiências. Para destinos e agentes de lazer, isso traduz-se em ações concretas — desde a capacitação de equipas de restauração para atender públicos internacionais até promoções de retalho orientadas por mercado emissor.
Em suma, os dados da Mastercard/Inmark reforçam que a valorização da qualidade da oferta turística — gastronómica, cultural e comercial — é um caminho para aumentar o valor por visitante. Para o setor do lazer, a aposta em experiências diferenciadas e em facilidades de pagamento para turistas de longa distância pode traduzir-se em receitas mais elevadas e numa melhor distribuição dos benefícios do turismo no território.