Sistema autónomo para vigilância contínua das matas do distrito
Uma equipa do CIIC — Centro de Investigação em Informática e Comunicações da Universidade de Leiria e do Oeste (ULO) está a desenvolver um sistema de vigilância florestal capaz de operar 24 horas por dia, sete dias por semana. A solução integra drones autónomos, inteligência artificial e gémeos digitais para recolher e analisar dados em tempo real nas áreas florestais consideradas de maior risco.
O funcionamento foi concebido para garantir monitorização contínua: uma doca inteligente permite aterragens automáticas, recargas e descolagens sucessivas, de modo que enquanto um drone vigia a zona outro permanece a recarregar. Este esquema evita interrupções de cobertura e acelera a deteção de anomalias que podem corresponder a focos de ignição.
“Quando apresentámos os resultados do DBoidS, afirmámos que o fim do projeto seria um ponto de partida e não um ponto de chegada. Foi precisamente isso que aconteceu”,
a frase atribuída a António Pereira, professor catedrático e investigador envolvido no projeto, resume a intenção de transformar investigação académica em capacidade operacional útil às forças de proteção civil e de segurança.
- Entidade promotora: CIIC — Universidade de Leiria e Oeste (ULO)
- Parceiro operativo: Comando Territorial de Leiria da GNR
- Componentes principais: drones autónomos, doca inteligente, inteligência artificial, gémeos digitais
O desenvolvimento surgiu no âmbito do projeto DBoidS — Sistema de Gémeos Digitais e Boids para a Prevenção de Fogos, cujo financiamento pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia terminou há mais de um ano. Apesar do encerramento do financiamento, a equipa prosseguiu o trabalho e tem vindo a ajustar a tecnologia com base no interesse manifestado pela GNR local, que se revela determinante para a transição para uso operacional.
| Elemento | Função |
|---|---|
| Drones autónomos | Vigilância aérea e recolha de imagens/dados |
| Doca inteligente | Aterragem automática, carregamento e descolagem sequencial |
| Inteligência artificial | Processamento e identificação de possíveis focos em tempo real |
| Gémeos digitais | Simulação e análise do comportamento do sistema e do território |
Para os habitantes do distrito de Leiria, a implementação eficaz desta tecnologia pode significar tempos de deteção muito mais curtos e informação mais precisa para os decisores no terreno — bombeiros, forças de segurança e proteção civil — permitindo respostas mais rápidas e dirigidas. A operacionalização do sistema junto da GNR pressupõe ainda testes em cenários reais, ajustamentos técnicos e estabelecimento de fluxos de comunicação entre a plataforma tecnológica e os serviços de emergência.
Do ponto de vista técnico e logístico, a utilização de gémeos digitais e de algoritmos que coordenam vários drones (conceitos associados aos chamados «boids») permite não só monitorizar como também prever padrões de risco, optimizando o posicionamento dos recursos aéreos e reduzindo zonas de sombra na vigilância.
As autoridades locais, proprietários florestais e populações interessadas deverão acompanhar a evolução do projeto, já que uma eventual implementação operacional exigirá protocolos de cooperação e esclarecimento sobre os perímetros de ação, proteção de privacidade e procedimentos em caso de deteção de anomalias. A colaboração entre academia e GNR mostra-se, até agora, um passo essencial para que a investigação aplicada chegue a resultados concretos em matéria de prevenção de incêndios no território.
Seguirão fases de ensaio e validação, que determinarão o cronograma para uma eventual adoção mais alargada. Até lá, o projeto DBoidS e as atividades de continuidade lideradas pelo CIIC mantêm-se como uma aposta local relevante na mitigação do risco de fogos rurais.