Reorganização para garantir serviço, mas responsáveis alertam para limitações
A Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga informou esta semana que a urgência do Hospital de Braga vai procurar assegurar o seu funcionamento durante o fim de semana através de uma reorganização das equipas, depois de vários médicos tarefeiros terem anunciado indisponibilidades em protesto contra o valor pago por hora.
Habitualmente, as escalas da urgência são compostas por oito médicos durante o dia e quatro à noite. Para já, e segundo a informação divulgada, estão confirmados apenas um médico para a noite de domingo e dois para segunda-feira, o que revela uma capacidade reduzida face ao quadro tradicional.
| Escala típica | Confirmação atual |
|---|---|
| Dia: 8 médicos | Não indicado |
| Noite: 4 médicos | Domingo (noite): 1 médico Segunda-feira: 2 médicos |
O conflito decorre da insatisfação dos médicos prestadores de serviço — quase 50 tarefeiros — que há um ano pediram uma reunião com a direção do serviço de urgência e criticam a não integração nos quadros do Serviço Nacional de Saúde e as condições salariais oferecidas.
"A verdade é que continuam a recusar integrar os médicos prestadores de serviço nos quadros do Serviço Nacional de Saúde, que continuam a oferecer condições salariais e de trabalho que afastam os médicos e agora até degradam ainda mais as condições de quem assegura as urgências."
Joana Bordalo e Sá, presidente do Sindicato dos Médicos do Norte, advertiu que manter uma unidade oficialmente aberta não é suficiente se não estiver em condições de prestar os cuidados essenciais em todas as áreas. Segundo a dirigente, jornadas sem médicos e escalas aparentemente completas que, na prática, não garantem cobertura integral colocam em causa a segurança dos utentes.
Para os habitantes de Braga e concelhos vizinhos, a situação implica duas preocupações imediatas: possibilidade de algum atraso no atendimento e eventual necessidade de deslocação a unidades mais afastadas do distrito caso a capacidade da urgência se revele insuficiente. O sindicato sublinha que, se a urgência fechar, «os doentes vão ter de ser vistos a quilómetros da sua área de residência», aumentando tempos de resposta e custos para as famílias.
- ULS afirma que está a reorganizar as equipas para garantir atendimento.
- Sindicato ressalva que uma urgência só está verdadeiramente aberta se conseguir prestar cuidados em todas as áreas.
- O protesto dos tarefeiros tem origem em reivindicações sobre integração nos quadros e condições remuneratórias.
As autoridades de saúde locais e o hospital terão de equilibrar a resposta imediata para esta vaga de indisponibilidades com soluções estruturais que evitem que episódios semelhantes comprometam o funcionamento da urgência no futuro. Para já, a recomendação prática para a população é que, em caso de necessidade, confirme previamente a disponibilidade do serviço e, quando for possível, recorra às vias de contacto da ULS para orientações sobre onde dirigir-se.