A Comissão de Utentes em Defesa da Linha do Alentejo reuniu esta semana com os presidentes das Câmaras Municipais de Beja, Alvito e Vendas Novas para dar a conhecer as principais queixas dos passageiros e solicitar o alargamento do processo de auscultação a outras entidades, entre as quais a CP — Comboios de Portugal, a CCDR Alentejo e as câmaras de Cuba e Évora.
Principais problemas apontados
Durante a reunião, os utentes enumeraram vários problemas que têm afetado a linha e a experiência dos passageiros:
- Oferta insuficiente: número reduzido de composições face ao aumento da procura decorrente da implementação do Passe Verde.
- Marcações de lugares: obrigatoriedade de reserva que esgota em poucos minutos, dificultando o acesso ao transporte.
- Atrasos frequentes: viagens com atrasos entre 45 minutos e 1h30, afetando horários e ligações.
- Substituições de material: Intercidades por material regional, menos confortável e mais lento.
- Condições de conforto e segurança: automotoras sem ar condicionado no troço entre Beja e Casa Branca, mesmo em eventos de temperaturas superiores a 40ºC, com riscos para saúde e bem‑estar dos passageiros.
| Problema | Impacto local |
|---|---|
| Oferta insuficiente | Limita deslocações diárias e acesso ao emprego/serviços |
| Atrasos frequentes | Problemas nas ligações e perdas de compromissos profissionais |
| Ar condicionado avariado | Risco para a saúde em vagas de calor extremo |
A comissão sublinha que a ferrovia é uma necessidade estratégica para o Alentejo, não apenas como serviço público de transporte, mas também como instrumento para combater o isolamento, promover a coesão territorial, reduzir o impacto ambiental das deslocações e estimular o desenvolvimento económico e turístico da região.
Modernização entre Casa Branca e Beja: confirmação com reservas
Os utentes analisaram a Resolução do Conselho de Ministros n.º 85/2026, que autoriza o projeto de modernização do troço entre Casa Branca e Beja. A comissão considera positiva a confirmação do investimento, mas manifesta reservas quanto ao horizonte temporal previsto para a execução da obra, apontado entre 2027 e 2033, e recorda o histórico de sucessivos atrasos e promessas não cumpridas em projetos ferroviários.
Perante este cenário, a Comissão de Utentes solicitou reuniões formais com a CP e com a CCDR Alentejo e pediu às câmaras de Cuba e Évora que se juntem ao processo de auscultação. O objetivo é construir um posicionamento conjunto capaz de pressionar por calendários mais céleres e por soluções intermédias que melhorem já as condições de viagem.
Para os habitantes do distrito de Beja e dos concelhos servidos pela linha, as reivindicações traduzem‑se em pedidos concretos: mais composições, melhores condições de climatização, redução de atrasos e um plano de intervenção com prazos claros e fiscalização independente. Sem essas medidas, os cidadãos avisam que a ferrovia perderá utilidade prática, prejudicando mobilidade e oportunidades numa região em que o transporte público é indispensável para quem não dispõe de automóvel.
As próximas semanas serão decisivas para perceber se as promessas de investimento serão acompanhadas de calendários e medidas transversais que atenúem, desde já, os problemas sentidos diariamente por passageiros, trabalhadores e empresas do Alentejo.