Dados mostram retomada forte das viagens corporativas
As viagens de empresa registaram um crescimento notório no primeiro semestre de 2026, superando as viagens de lazer por uma margem histórica. Segundo a mais recente edição do Navan Business Travel Benchmark (BTB), o volume de deslocações profissionais subiu 13,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o segmento de lazer se manteve praticamente estável, com uma ligeira alta de 0,5%.
O índice BTB alcançou 189,1 nos primeiros seis meses do ano, ao passo que o TSA Passenger Index ficou em 121,1, resultando numa diferença recorde de 68 pontos entre a atividade de viagens corporativas e de lazer — um sinal claro de que as empresas retomaram com força as deslocações presenciais.
Por que as empresas voltaram a viajar
As explicações apontadas pelo relatório focam-se na importância estratégica das viagens de negócios: encontros presenciais continuam a ser considerados essenciais para impulsionar o crescimento, servir clientes e fortalecer equipas. Como apontou Aurélien Nolf, diretor financeiro da Navan:
"Embora as viagens sejam altamente sazonais, a diferença entre os segmentos corporativo e de lazer foi mais acentuada neste primeiro semestre do que havíamos observado anteriormente"
Em complemento, a análise refere que, desde o lançamento do índice em 2023, o BTB acumulou um ganho de 63,6%, enquanto o TSA Passenger Index registou uma subida de 7,2% no mesmo período — indicando que o crescimento se concentra sobretudo nas viagens profissionais.
Gastos aumentam apesar da inflação
Além do aumento do volume, as empresas elevaram também os orçamentos destinados a deslocações. As despesas com viagens domésticas subiram 21,5% face ao ano anterior, enquanto o número de viagens domésticas cresceu 8,8%. As reservas de hotéis nacionais e internacionais aumentaram 11,1% e 9,8%, respetivamente.
Outro factor relevante foi a subida das tarifas aéreas: o preço médio das passagens domésticas aumentou 14,4% em doze meses e as internacionais ficaram 9,1% mais caras. Os viajantes de negócios também têm optado com mais frequência por assentos premium, com as viagens domésticas em classe executiva e primeira classe a crescer 17%.
| Indicador | Variação (1S 2026 vs 1S 2025) |
|---|---|
| Viagens corporativas (volume) | +13,5% |
| Viagens de lazer (volume) | +0,5% |
| Despesas domésticas com viagens | +21,5% |
| Preço médio passagens domésticas | +14,4% |
Consequências práticas e implicações para o mercado português
Para operadores turísticos, cadeias hoteleiras e companhias aéreas, a tendência traduz-se numa oportunidade: a recuperação das viagens de negócio tende a sustentar a procura mesmo fora das épocas altas de lazer, levando a maior ocupação em semanas úteis e valorização de tarifas e serviços premium. Por outro lado, a pressão sobre preços e a preferência por classes superiores podem agravar os custos para as próprias empresas, que terão de equilibrar investimento em deslocações com políticas de sustentabilidade e controlo orçamental.
As empresas portuguesas e os gestores de viagens corporativas devem considerar:
- Rever políticas internas de viagens para otimizar custos sem perder a eficácia dos encontros presenciais;
- Avaliar alternativas híbridas e combinar deslocações estratégicas com videoconferência quando possível;
- Negociar condições com cadeias hoteleiras e companhias aéreas, aproveitando volumes e reservas antecipadas.
À medida que o mercado prossegue a normalização pós-pandemia, acompanhar indicadores como o BTB e o TSA Passenger Index será útil para adaptar estratégias operacionais e financeiras. O facto de as viagens de lazer estarem estagnadas sugere ainda uma eventual segmentação do mercado, em que negócios e turismo seguem ritmos diferentes e exigem respostas distintas por parte dos agentes económicos.