O aeródromo de Portimão foi ontem cenário de um acidente que vitimou o piloto de uma aeronave ligeira durante uma operação de reboque de uma manga publicitária. A fuselagem da Cessna 150F ficou destruída, mas todos os componentes foram localizados junto ao ponto de impacto, segundo o relatório preliminar do Grupo de Peritos para a Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF).
As autoridades confirmaram que o homem, de 28 anos, era o único ocupante e que tinha as autorizações e certificações necessárias para realizar o voo. O GPIAAF adianta que a investigação irá centrar-se, entre outros pontos, na condição de aeronavegabilidade da aeronave e na análise dos seus componentes críticos, designadamente o motor, bem como nos equipamentos utilizados para rebocar a manga.
Sequência dos factos e operação no aeródromo
Segundo o apurado, a tripulação de trabalho era composta pelo piloto e por um ajudante. Nas operações matinais, a aeronave foi abastecida com 84 litros de combustível e o motor foi ligado pela primeira vez às 09:17, sendo desligado cerca de dez minutos mais tarde devido a outra atividade no aeródromo. O motor foi reacionado às 09:38, a descolagem ocorreu às 09:44 e, às 09:46, após engatar a manga com sucesso, a aeronave sofreu uma súbita perda de controlo que conduziu à queda.
| Hora | Evento |
|---|---|
| 09:17 | Motor accionado pela primeira vez |
| ~09:27 | Motor desligado durante operação de paraquedismo |
| 09:38 | Motor reacionado |
| 09:44 | Descolagem |
| 09:46 | Recolha da manga e subsequente perda de controlo |
O GPIAAF descreve movimentos da aeronave após o engate da manga: um abaixamento da asa direita e, em seguida, uma queda abrupta da asa esquerda com atitude pronunciada de nariz em baixo, resultando numa rápida perda de altitude e colisão com o solo.
Pontos da investigação e implicações locais
Entre os elementos que estão a ser examinados, incluem-se a integridade do motor e de outros componentes críticos, a conformidade dos equipamentos usados no reboque com as especificações dos fabricantes e o próprio procedimento operacional seguido pela equipa no aeródromo. O GPIAAF sublinha que, embora as evidências apontem para que os equipamentos/materiais usados para rebocar a manga não estão de acordo com as especificações dos fabricantes, “não se pode, nesta fase, afirmar que tenha tido relação com o acidente”.
“estava devidamente autorizado e certificado para realizar o voo”
Para a comunidade de Portimão e para quem frequenta o aeródromo, a investigação terá impacto nas operações aéreas locais, nomeadamente nas atividades de trabalho aéreo e nas rotinas de segurança. Caso se confirmem incumprimentos nas especificações dos materiais ou falhas procedimentais, poderão seguir-se recomendações e restrições temporárias às operações de reboque ou inspeções adicionais às aeronaves que realizam esse tipo de voo.
- Autoridades continuam a análise da aeronave e dos seus componentes.
- Verifica-se atenção especial aos materiais de reboque utilizados nas mangas publicitárias.
- Impacto imediato nas operações do aeródromo e necessidade de medidas preventivas.
O processo de investigação aberto pelo GPIAAF prossegue, com envolvimento técnico na recolha e análise dos destroços e documentação associada. Até à publicação do relatório final não serão feitas conclusões sobre a causa determinante do acidente, mas a exposição pública dos factos obriga a uma atenção reforçada às práticas de segurança aérea no contexto local.