Tendência nacional: litoral do Alentejo e Norte sobem nas preferências
Os destinos escolhidos pelos portugueses para as férias de verão estão a mudar. Segundo a primeira edição do estudo "Férias dos Portugueses", elaborado pelo IPAM, há uma clara deslocação do foco tradicional no Algarve para outras zonas do litoral: o Alentejo Litoral surge hoje como preferência dominante, seguido pelo Norte Litoral.
O estudo indica que 50% dos inquiridos admite passar as férias em Portugal, uma proporção inferior aos 61% registados em 2019. No cenário internacional, 49% manifesta intenção de viajar pela Europa, 7% aponta para destinos em África e 3% para outras regiões.
Quais regiões sobem e quais descem?
Dentro do país, o levantamento aponta para uma distribuição de preferências que contrasta com edições anteriores. As percentagens por região são as seguintes:
| Região | Percentagem |
|---|---|
| Alentejo Litoral | 60% |
| Norte Litoral | 33% |
| Alentejo Interior | 33% |
| Centro Litoral | 30% |
| Algarve | 30% |
| Açores | 10% |
Percebe-se, assim, que o Algarve — que liderava as escolhas em 2019 com 48% das preferências — perdeu posição e agora figura fora do primeiro lugar, ficando em igualdade com o Centro Litoral no valor de intenção de escolha.
Motivações e orçamento: o que pesa na decisão?
O facto de um destino ter praia continua a ser o factor mais valorizado pelos portugueses: 47% dos inquiridos refere a existência de praia como principal razão de escolha. O preço surge como segundo critério, indicado por 13% dos participantes.
No plano financeiro, o orçamento médio disponível para as férias de verão em 2026 aumenta para €750 por pessoa, face aos €712 apurados em 2019. Porém, essa subida não traduz um aumento generalizado de despesa: 43% dos inquiridos diz que gastará menos do que no ano passado, 43% manterá o mesmo nível de despesas e apenas 14% planeia gastar mais. Além disso, 77% recorre ao subsídio de férias para suportar os custos.
O que isto significa para quem planeia férias (e para quem oferece serviços)?
- Para os viajantes: considerar alternativas ao Algarve pode trazer melhor relação qualidade-preço e menos lotação; o Alentejo Litoral e o Norte Litoral são opções em alta.
- Para operadores turísticos e alojamento: ajustar a oferta às preferências por litoral fora do Algarve e comunicar forte a vantagem de preço e experiência local.
- Para autarquias e comércio local: preparar infraestruturas e serviços para um possível aumento de procura nessas regiões costeiras.
O estudo do IPAM revela, assim, uma mudança de hábitos que combina procura por costa e atenção ao custo — uma oportunidade para destinos emergentes consolidarem a sua posição no mapa do turismo nacional. Para quem ainda não definiu destino, a mensagem é clara: olhar para além do sul tradicional pode traduzir-se em melhores dias de praia e carteira mais tranquila.