Centro intermunicipal destaca-se num quadro nacional de insuficiências
Num ano em que o país enfrenta dificuldades persistentes na gestão de animais errantes, o CAGIA — Canil/Gatil Intermunicipal gerido pela Resialentejo — regista uma evolução contrária à tendência nacional. Enquanto o relatório anual da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) aponta para cerca de 40.000 animais recebidos em 2025 em centros de recolha por todo o país e apenas cerca de 22.000 adoções, o CAGIA aumentou tanto as entradas como as saídas para adopção e as intervenções de esterilização.
Em 2025, o centro registou 928 entradas, contra 798 no ano anterior, um acréscimo que traduz maior capacidade de resposta dos municípios que integram o consórcio. O número de adoções passou de 477 para 599, enquanto as esterilizações totalizaram 590 animais — um crescimento de 12% face a 2024, segundo dados divulgados pela Resialentejo.
Investimento e expansão para reforçar capacidade de acolhimento
A Resialentejo avançou com a adjudicação da segunda fase de ampliação da infraestrutura do CAGIA, com um investimento previsto superior a 650.000 euros. A obra, cuja execução começará nos próximos dias, destina-se a aumentar a capacidade de acolhimento e a melhorar a resposta face ao problema do abandono animal na região do Alentejo.
O reforço das instalações surge num momento em que a taxa de adoções a nível nacional corresponde a pouco mais de metade das entradas nos centros de recolha, de acordo com a DGAV. A trajetória do CAGIA indica uma maior rotatividade e melhores taxas de colocação dos animais em lares, ao mesmo tempo que intensifica ações de controlo da reprodução através da esterilização.
Reconhecimento institucional e impacto local
Para conhecer de perto o trabalho desenvolvido no terreno, o Secretário de Estado da Agricultura efetuou uma visita ao CAGIA em Beja. A deslocação sublinha a atenção governamental às soluções regionais que podem mitigar problemas sistémicos, como o abandono e a sobrelotação dos centros de recolha.
- Entradas (CAGIA 2025): 928
- Adoções (CAGIA 2025): 599
- Esterilizações (CAGIA 2025): 590 — +12% face a 2024
- Investimento na 2.ª fase: > €650.000
- Contexto nacional (DGAV 2025): ~40.000 entradas; ~22.000 adoções
Os números do CAGIA colocam a estrutura como um exemplo de capacidade de gestão e de articulação entre municípios, mas também levantam questões sobre a replicabilidade destas práticas noutras regiões do país. A ampliação prevista poderá permitir acolher mais animais e aumentar ainda mais a taxa de adoções, reduzindo a pressão sobre outros centros de recolha.
| Indicador | CAGIA 2024 | CAGIA 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Entradas | 798 | 928 | +130 |
| Adoções | 477 | 599 | +122 |
| Esterilizações | (valor não especificado) | 590 | +12% (face a 2024) |
A deslocação oficial e o investimento anunciado colocam o CAGIA no mapa das experiências que podem ser estudadas para informar políticas públicas mais eficazes na gestão de animais errantes. A combinação de maior capacidade física, de intervenção clínica e de estratégias de promoção da adoção parece ter produzido resultados mensuráveis no Alentejo.
Resta observar se a ampliação e os recursos adicionais se traduzirão, no médio prazo, numa diminuição sustentada do abandono e numa melhoria das taxas de adoção, bem como se outras regiões conseguirão adaptar práticas semelhantes às suas realidades locais.