Situação e calendário
O abastecimento de água no concelho de Almada manter-se-á com constrangimentos durante, pelo menos, mais duas a três semanas, adiantou a ministra do Ambiente na sequência de uma reunião com a presidente da Câmara. Para responder à escassez, um novo furo entrará em funcionamento este fim de semana e deverá aumentar em 20% a capacidade de captação atualmente disponível.
A decisão técnica complementa medidas de contingência já em curso, mas não elimina de imediato os racionamentos que têm afetado milhares de residentes desde maio, com especial incidência na Costa da Caparica e outras localidades do concelho.
Consumos, perdas e impacto
Segundo a ministra, o consumo médio em Almada situa-se atualmente nos 300 litros diários por habitante — bem acima dos 180 litros que representam a média nacional — e registou-se um aumento acumulado de 4,3% no primeiro semestre, chegando a picos de 15% em algumas zonas.
Paralelamente, os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento divulgam que a percentagem de água perdida e não faturada é de 35%, um valor que a autarquia admite poder incluir puxadas ilegais. A presidente da Câmara sublinhou que a edilidade trabalha na resolução do problema desde maio e assegurou que
“não há nenhuma zona do concelho que tenha estado sem água mais de 24 horas”
Medidas técnicas e financeiras
Além do furo já a operar este fim de semana, está previsto o avanço imediato para a licenciamento de um outro furo de maiores dimensões. O custo estimado para a perfuração de um furo ronda entre 15 a 20 mil euros, segundo a ministra.
Em termos de gestão de procura, a ministra apelou aos munícipes que reduzam o consumo ao essencial e lembrou que a intervenção dos novos pontos de captação contribuirá para mitigar os cortes.
- Novos furos: entrada em funcionamento este fim de semana (+20% capacidade) e licenciamento de furo maior.
- Racionamentos: previsão de manutenção por 2–3 semanas; cortes nocturnos programados em vários locais.
- Perdas: 35% de água não faturada, com possível existência de puxadas ilegais.
Consequências locais e expectativas
Os cortes programados entre as 22h00 e as 06h00 têm sido anunciados por blocos territoriais e afetam serviços e forças económicas locais, bem como equipamentos sociais. A normalização total dependerá não só dos novos furos, mas também da diminuição do consumo e da redução das perdas no sistema.
Face aos números de consumo e às percentagens de perda, a solução técnica (mais furos) é apenas uma parte da resposta: será também necessária uma estratégia de gestão da procura, fiscalização das perdas reais e comunicação contínua com os munícipes para minimizar melhores práticas de utilização durante as próximas semanas.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Consumo médio por habitante | 300 litros/dia |
| Média nacional | 180 litros/dia |
| Aumento no 1.º semestre | 4,3% (até 15% em algumas áreas) |
| Perdas de água | 35% |
| Aumento de capacidade com novo furo | 20% |