Plano de emergência para o abastecimento
O Governo e a Câmara de Almada anunciaram um conjunto de medidas imediatas para mitigar os recentes cortes no abastecimento de água no concelho, centradas na abertura de dois novos furos de captação. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, informou que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vai licenciar de forma célere as intervenções, após reunião com a presidente da Câmara, Inês de Medeiros.
Calendário e impacto esperado
Segundo o Governo, o primeiro furo deverá entrar em funcionamento já no próximo fim de semana, com um acréscimo estimado de 20% na oferta de água do sistema local. O segundo furo, descrito pela ministra como de maior capacidade e capaz de "suprir a quantidade de água necessária", encontra-se em processo de licenciamento — o pedido terá chegado à APA na manhã da mesma sessão — e estará operacional dentro de duas a três semanas. O custo previsto para a operação situa-se entre 15 000 e 20 000 euros, valor que o Executivo considerou «relativamente baixo» face aos problemas causados pela falta de água.
Consumo elevado agrava situação
A ministra apontou o aumento do consumo como causa principal dos constrangimentos. Os números apresentados indicam um consumo médio em Almada de 300 litros por dia por habitante, comparado com a média nacional de 180 litros. Nos últimos seis meses houve um acréscimo de 4,3% em todo o concelho e picos de até 15% em algumas zonas.
"Neste momento em Almada há um consumo de 300 litros por dia por habitante. A média em Portugal é 180 litros por dia por habitante."
Medidas de gestão e apelo à poupança
Para além do reforço das fontes, a ministra sublinhou que o primeiro objetivo é estabilizar o sistema e reduzir consumos não essenciais. Nesse sentido, são esperadas ações de sensibilização e apelos públicos à contenção do uso doméstico de água enquanto decorrem os trabalhos de perfuração e ligação.
Riscos, custos e próximas etapas
O cronograma divulgado associa-se a procedimentos administrativos e à necessidade de garantir autorizações ambientais e técnicas para os furos. A APA comprometeu-se a processar o licenciamento com urgência, mas a efetiva reposição do serviço dependerá também do sucesso das intervenções e da resposta dos consumidores aos apelos à redução do consumo.
- Entrada em funcionamento do 1.º furo: próximo fim de semana (aumento previsto de 20%).
- 2.º furo: licenciamento em curso; operacional em 2–3 semanas.
- Consumo médio em Almada: 300 l/dia por habitante (média nacional: 180 l/dia).
- Custo estimado: 15 000–20 000 euros.
| Item | Valor |
|---|---|
| Consumo médio Almada | 300 l/dia |
| Consumo médio Portugal | 180 l/dia |
| Aumento estimado com 1.º furo | 20% |
| Prazo para 2.º furo | 2–3 semanas |
| Custo | 15 000–20 000 € |
As medidas anunciadas combinam respostas de curto prazo — como a ativação das captações já identificadas — com um apelo à mudança de comportamentos por parte da população. A eficácia desta estratégia dependerá, em igual medida, do cumprimento dos prazos de licenciamento e da adesão dos munícipes às recomendações de poupança de água.