Investimento, capacidade e objetivos ambientais
A ministra do Ambiente e Energia inaugurou esta terça‑feira duas estações de tratamento de águas residuais (ETAR) em Cuba e em Montemor‑o‑Novo, no âmbito de um investimento conjunto de cerca de 5,7 milhões de euros. As intervenções, da responsabilidade das Águas Públicas do Alentejo (AgdA), destinam‑se a substituir infraestruturas com mais de três décadas que já apresentavam funcionamento deficiente e avarias frequentes, melhorando o saneamento local e a proteção ambiental.
Segundo a AgdA, as novas ETAR têm uma capacidade de tratamento de 197 m³ por dia. A estação de Cuba assegura o tratamento de todas as águas residuais domésticas da vila, servindo 4 899 habitantes, e contou com um investimento de cerca de 3,6 milhões de euros. Em Montemor‑o‑Novo, a ETAR do Ciborro trata as águas residuais do lugar do Ciborro e serve 900 habitantes, após uma intervenção de aproximadamente 2,1 milhões de euros.
“As antigas estações de tratamento de águas residuais tinham mais de 30 anos, funcionavam mal e apresentavam avarias sucessivas.”
Esta foi a justificação expressa pela governante à agência Lusa, que frisou a importância das obras para as localidades e para a região do Alentejo. A substituição de ETAR antigas segue, nas palavras da ministra, a necessidade de renovar investimentos feitos nos anos 1980 que hoje apresentam desgaste e limitações técnicas.
Financiamento e medidas de eficiência energética
O projecto em Cuba foi cofinanciado em 57,7% pelo fundo europeu COMPETE 2020/REACT‑EU. Em Montemor‑o‑Novo, a intervenção beneficiou de cofinanciamento de 83,5% pelo Programa Alentejo 2030. Para além da substituição das estruturas de tratamento, a ETAR de Cuba inclui uma unidade de produção de energia fotovoltaica para autoconsumo, com uma potência indicada de 75 megawatts, que deverá reduzir em cerca de 40% o consumo de energia proveniente da rede eléctrica.
As obras procuram, assim, não só melhorar os processos de tratamento e as condições de descarga como também reduzir a pegada energética das infraestruturas, alinhando‑as com metas de proteção ambiental e eficiência.
Impactes locais e âmbito de gestão
Para os concelhos envolvidos, as novas ETAR representam um reforço das garantias de tratamento adequado das águas residuais domésticas, com efeitos diretos na qualidade das descargas para o meio envolvente. A AgdA assegura a gestão integrada destes serviços na região, responsabilizando‑se pela operação e manutenção das infraestruturas.
Num contexto em que muitas ETAR do país resultam de investimentos realizados há cerca de quatro décadas, as intervenções no Alentejo ilustram um esforço de renovação de um parque de infraestruturas essenciais ao saneamento e à salvaguarda dos recursos hídricos.
| ETAR | População servida | Capacidade (m³/dia) | Investimento (ME) | Cofinanciamento |
|---|---|---|---|---|
| Cuba | 4 899 | 197 | 3,6 | 57,7% (COMPETE 2020/REACT‑EU) |
| Montemor‑o‑Novo (Ciborro) | 900 | 197 | 2,1 | 83,5% (Programa Alentejo 2030) |
- Substituição de ETAR com mais de 30 anos e funcionamento deficiente.
- Melhoria da capacidade de tratamento e das condições de descarga para o meio ambiente.
- Integração de produção fotovoltaica para reduzir consumos de rede.
As inaugurações ocorrem num momento em que a renovação das infraestruturas de saneamento é vista como um imperativo para garantir conformidade ambiental, reduzir riscos de poluição e aumentar a eficiência dos serviços públicos. À medida que outros equipamentos antigos no país vão sendo alvo de intervenções, a experiência do Alentejo pode servir de referência quanto a fontes de cofinanciamento e medidas de eficiência energética aplicáveis a esta tipologia de infraestruturas.
Resta acompanhar a operação das novas ETAR nos próximos meses para avaliar, na prática, os ganhos em termos de fiabilidade, qualidade das descargas e efeitos sobre o consumo energético das estações.