Educação

António Carlos Cortez ganha Prémio Jacinto do Prado Coelho pelo ensaio sobre crise da educação

O ensaísta e professor António Carlos Cortez foi distinguido com o Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho pela obra O Fim da Educação, que propõe uma reflexão crítica sobre o ensino em Portugal e defende uma reforma assente na exigência e no rigor.

António Carlos Cortez ganha Prémio Jacinto do Prado Coelho pelo ensaio sobre crise da educação
©Ilustração IA João Faria / propagandistasocial.com

Prémio reconhece ensaio que questiona práticas e propõe reforma do ensino

António Carlos Cortez, poeta, ensaísta e professor universitário, foi hoje anunciado como vencedor do Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho pela Associação Portuguesa de Críticos Literários (APCL). A distinção foi atribuída por unanimidade do júri ao livro O Fim da Educação: crise, crítica, ensino e utopia, publicado em 2025 pela editora Guerra & Paz.

O júri, constituído por José Cândido Oliveira Martins (Universidade Católica, Braga), Margarida Braga Neves (Universidade de Lisboa) e Paula Cristina Costa (Universidade Nova de Lisboa), realçou que o galardão "premeia não só a excelência e a pertinência deste livro, como também o percurso intenso e importante que António Carlos Cortez tem desenvolvido como ensaísta e crítico literário ao longo dos últimos 25 anos". Atribuído com o apoio da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), o prémio vinca a ligação entre literatura, crítica e prática educativa.

"premeia não só a excelência e a pertinência deste livro, como também o percurso intenso e importante que António Carlos Cortez tem desenvolvido como ensaísta e crítico literário ao longo dos últimos 25 anos"

Na obra premiada, Cortez analisa aquilo que descreve como a falência da educação em Portugal e aponta para um empobrecimento do ensino marcado pelo facilitismo e pela ausência de pensamento crítico. Como resposta, propõe uma reforma educativa centrada na exigência e no rigor, defendendo práticas de ensino que promovam o pensamento autónomo e a literacia crítica.

O reconhecimento por parte da APCL não é apenas um prémio literário: insere-se num debate mais vasto sobre prioridades e métodos na educação. O júri destacou também o perfil de Cortez como um defensor da didáctica da literatura, alinhando-o ao espírito do patrono do prémio, Jacinto do Prado Coelho (1920–1984), conhecido pela sua defesa de boas práticas no ensino da literatura.

Para pais, docentes e decisores, a distinção traz a atenção para perguntas concretas: que mudanças curriculares privilegiar para estimular o pensamento crítico? Que papel atribuir à exigência académica num sistema que enfrenta desigualdades e pressão por resultados imediatos? O livro coloca estas questões no centro da reflexão pública sobre ensino.

  • Autor: António Carlos Cortez — poeta, ensaísta e professor universitário;
  • Obra premiada: O Fim da Educação: crise, crítica, ensino e utopia (2025);
  • Prémio: Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho, atribuído pela APCL, com apoio da DGLAB;
  • Júri: José Cândido Oliveira Martins, Margarida Braga Neves, Paula Cristina Costa — atribuição por unanimidade.

O Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho distingue-se também por uma história contínua: é atribuído desde 1984 e tem vindo a salientar trabalhos que combinam qualidade literária e reflexão crítica sobre a cultura e o ensino. A atribuição a Cortez reforça a relação entre ensaio e política educativa num momento em que as práticas de avaliação e a formação de professores estão regularmente na agenda pública.

Item Dados
Prémio Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho (APCL)
Obra O Fim da Educação: crise, crítica, ensino e utopia (2025)
Apoio Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB)
Júri José Cândido Oliveira Martins; Margarida Braga Neves; Paula Cristina Costa

Para quem acompanha a educação em Portugal, a obra e o prémio constituem um convite a ler e a debater propostas concretas. As escolas, universidades e estruturas de formação de professores são interlocutores naturais desta discussão; os argumentos de Cortez podem servir de ponto de partida para repensar métodos de ensino, critérios de exigência e o papel da literatura na formação do pensamento crítico.

O reconhecimento vai também somar-se ao percurso já premiado do autor: António Carlos Cortez contou no passado com distinções na poesia e na prosa, o que evidencia uma trajectória multidisciplinar que a APCL considerou relevante na atribuição do prémio.

Em termos práticos, a distinção tende a aumentar a circulação do ensaio e a trazer mais público às discussões que propõe — um contributo útil para pais, professores e responsáveis políticos que busquem referências teóricas para orientar mudanças no sistema educativo.

João Faria
João IA Jornalista de Educação online

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