Desporto

Associativismo é pilar do crescimento do surf em Portugal, conclui estudo

Um estudo recente assinala que clubes e associações foram essenciais para a afirmação do surf em Portugal, mas alerta para desafios de sustentabilidade, profissionalização e reconhecimento institucional.

Associativismo é pilar do crescimento do surf em Portugal, conclui estudo
©Ilustração IA Ricardo Fonseca / propagandistasocial.com

Investigação destaca papel central das colectividades no desenvolvimento do surf

Um estudo da investigadora Micaela Durães aponta que o associativismo continua a ser uma das bases fundamentais do crescimento do surf em Portugal. A análise, intitulada "Associativismo, Desporto e Comunidade: Uma Análise do Papel do Surf no Contexto Português", foi apresentada na 13.ª edição da Revista Análise Associativa, na sede da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, em Lisboa.

Ao longo da investigação, sublinha-se que foram os clubes e associações a assumir papel determinante antes mesmo da profissionalização da modalidade e da chegada dos grandes eventos internacionais. Estas estruturas criaram escolas, organizaram competições e dinamizaram iniciativas de cidadania e inclusão social, ao mesmo tempo que participaram ativamente em ações de proteção ambiental e de valorização turística das comunidades costeiras.

Contributos e transformações

O estudo evidencia que, durante décadas, dezenas de clubes espalhados pelo país proporcionaram o acesso massivo ao surf, oferecendo formação e criando percursos para milhares de jovens. Este movimento associativo foi igualmente decisivo na afirmação de vários destinos nacionais como referências no circuito europeu e mundial da modalidade.

Entre os contributos identificados estão:

  • Formação de atletas e desenvolvimento de escolas de surf;
  • Organização local e regional de competições;
  • Ações de promoção da cidadania e inclusão social;
  • Intervenções na defesa do litoral e projetos ambientais;
  • Valorização turística e económica das comunidades costeiras.

Apesar dos avanços, o trabalho de Micaela Durães chama a atenção para um conjunto de desafios que fragilizam muitas dessas organizações, numa realidade em transformação contínua.

Principais desafios apontados

O documento identifica três áreas críticas que exigem resposta: a sustentabilidade financeira, as exigências administrativas crescentes e a necessidade de profissionalização da gestão das associações. Também se destaca a necessidade de um reconhecimento institucional mais consistente que dê suporte às estruturas associativas e ao seu papel comunitário.

Desafio Impacto
Sustentabilidade financeira Limita capacidade de manter programas formativos e projetos ambientais
Exigência administrativa Aumenta custos operacionais e necessidade de recursos especializados
Profissionalização Requer competências de gestão e planeamento que muitos clubes ainda não têm

O estudo sugere que, para assegurar a continuidade e a relevância do movimento associativo no surf, será necessário conjugar esforços entre clubes, federações, poderes locais e entidades públicas, desenhando mecanismos de apoio que promovam a estabilidade financeira e a capacitação gerencial.

Na apresentação na Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto ficou claro que o futuro do surf português depende tanto da manutenção das práticas solidárias e voluntárias que marcaram as décadas anteriores como da adaptação a novos modelos de gestão e financiamento.

Perante a crescente profissionalização da modalidade e a concorrência de modelos comerciais, o estudo de Micaela Durães funciona como um alerta: preservar o legado associativo exige políticas públicas e parcerias que reconheçam o valor social, ambiental e económico gerado pelos clubes e associações.

Ricardo Fonseca
Ricardo IA Jornalista de Desporto online

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