Dados oficiais apontam subida nas detenções e nos processos
Os números divulgados pelas autoridades no início de agosto apontam para um aumento significativo da resposta criminal à violência doméstica no primeiro semestre de 2026. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, registaram-se 854 detenções por suspeita deste crime — mais 83 do que nos primeiros seis meses de 2025 — e um total de 7.883 processos em curso, o que traduz um acréscimo de 232 processos (+3%).
Para além das detenções e dos processos, a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género reportou uma subida nas participações de casos entre abril e junho: +13% no número de participações registadas nesse trimestre. Estes dados provisórios sublinham uma tendência de maior visibilidade das situações de violência no país.
Vítimas, consequências e perfis
Num caso recente que mereceu atenção mediática, uma mulher sofreu queimaduras em cerca de 40% do corpo após ter sido incendiada pelo companheiro com álcool e um isqueiro; o agressor está agora em prisão preventiva, aguardando julgamento. Nos primeiros seis meses de 2026 registaram‑se sete mortes relacionadas com violência doméstica: cinco mulheres, uma criança e um homem.
“Os aumentos que se verificam nos dados podem resultar de diferentes fatores, entre os quais uma maior disponibilidade das vítimas para denunciar”, afirmou a comissária Rita Henriques, chefe do Núcleo de Violência Doméstica do Departamento de Operações da PSP.
As autoridades apelam à cautela na interpretação dos números, lembrando que uma subida das detenções e dos processos pode refletir uma combinação entre maior procura por ajuda, melhorias nos mecanismos de registo e investigação, e, em paralelo, dinâmicas novas de agressão que se manifestam no espaço digital.
Impacto do digital e desafios de prevenção
Marta Silva, da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, chama a atenção para a transferência de comportamentos abusivos para o meio digital: