Portugal regista, até 30 de junho de 2026, 75 mortes por afogamento, o valor mais elevado desde 2017, segundo dados divulgados pela comunicação social e por fonte da autoridade marítima. A maior parte destes incidentes aconteceu ao longo dos cerca de 350 quilómetros de praias não vigiadas, um factor que volta a colocar a segurança balnear no centro do debate público.
Alterações costeiras e novos perigos
Segundo nadadores-salvadores ouvidos, houve um aumento da ocorrência de agueiros — correntes de retorno que podem arrastar banhistas para mar alto — e, sobretudo, uma mudança na sua localização em muitas praias. Os profissionais apontam as tempestades que afetaram a costa em janeiro como a causa principal: as alterações no fundo marinho junto à linha de água terão criado novas passagens de perigo e deslocado outras já conhecidas.
O porta-voz da Autoridade Marítima Nacional sublinha que a maioria dos afogamentos se verifica em zonas sem vigilância e destaca a responsabilidade individual na escolha do local de banho. Sobre prevenção e comportamento, deixa um apelo claro:
“a segurança começa em nós próprios”
Implicações para vigilância e prevenção
Os números deste primeiro semestre acendem uma luz de alerta para as estratégias de prevenção: aumento do número de nadadores-salvadores nas praias vigiadas, campanhas de sensibilização para identificar sinais de perigo e sinalética mais visível em areais não vigiados. As entidades que monitorizam a costa recordam que a presença de vigilância diminui significativamente o risco de ocorrência fatal.
- Até 30 de junho de 2026: 75 mortes por afogamento.
- Registo nacional de 2025: 142 mortes por afogamento.
- Extensão aproximada de praias não vigiadas apontada como crítico: 350 km.
O que mudou com as tempestades de janeiro
As tempestades de início de ano provocaram alteração do leito marinho em muitas praias, fenómeno que é referido pelos profissionais do salvamento como potenciador de novos agueiros ou de deslocação daqueles que já existiam. Esta dinâmica reforça a necessidade de avaliações contínuas das condições costeiras e de atualização da informação pública disponibilizada aos banhistas.
| Período | Mortes por afogamento (Fonte) |
|---|---|
| 2025 (total ano) | 142 |
| 2026 (até 30/06) | 75 |
Perante estes números, os especialistas reiteram recomendações práticas: escolher praias vigiadas, obedecer à sinalização e às instruções dos nadadores-salvadores, não entrar no mar embriagado ou em condições meteorológicas adversas e informar-se sobre as zonas de corrente antes de banhar-se. A conjugação de melhores práticas individuais, reforço da vigilância e monitorização do litoral é apresentada como o caminho mais eficaz para mitigar a tendência registada em 2026.