Decisão da APCVD afecta estreia das águias e gera contestação
A Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) sancionou o Sport Lisboa e Benfica com um jogo à porta fechada e uma multa de 150.000 euros, na sequência da utilização de artefactos pirotécnicos por adeptos encarnados em encontros da época 2022/23. Segundo a informação veiculada pela imprensa, a sanção não é susceptível de recurso, pelo que o clube terá de cumprir a pena imposta.
O castigo deverá incidir sobre a ronda inaugural do campeonato, apontada para o confronto com o Académico de Viseu, marcado para 8 de agosto, o que coloca em risco a presença de público no Estádio da Luz nesse jogo. Antes dessa data, o Benfica tem compromissos nas competições europeias, incluindo a segunda-mão da segunda pré-eliminatória da Liga Europa, programada para 30 de julho — partidas que, segundo o clube, já obedecem a condições de segurança e prevenção implementadas.
Clube considera medida injusta e aponta dualidade de critérios
Em comunicado oficial, o Benfica manifestou veemente contestação à decisão, classificando-a como «injusta na sua génese» e «desproporcionada, que lesa o desporto e prejudica o clube». O emblema da Luz coloca ainda em destaque aquilo que descreve como um «grave precedente» e uma suposta dualidade de critérios relativamente a incidentes semelhantes noutros estádios do país, afirmando sentir‑se «o único alvo da aplicação de uma sanção desta natureza».
«O Sport Lisboa e Benfica manifesta ainda a sua profunda preocupação com o grave precedente que tal representa e que contrasta com a ausência de idênticas consequências em situações semelhantes verificadas noutros estádios, envolvendo outros clubes e outros adeptos que não os do Benfica.»
O clube realça também que, ao longo do processo, adotou medidas para impedir a introdução e o uso de pirotecnia no recinto e que cumpriu os deveres de prevenção ao seu alcance, sublinhando a intenção de manter esforços para garantir segurança nos eventos que organiza.
Contexto dos incidentes e consequente pena
De acordo com os factos apontados pelas notícias, a decisão da APCVD prende‑se com ocorrências em vários jogos da temporada 2022/23, entre os quais encontros frente ao Midtjylland, Arouca, Sporting, Famalicão e Santa Clara. As infrações reportadas referem‑se ao recurso a artefactos pirotécnicos no Estádio da Luz.
| Época | Ocorrências |
|---|---|
| 2022/23 | Uso de pirotecnia em jogos frente a Midtjylland, Arouca, Sporting, Famalicão e Santa Clara |
Implicações desportivas e disciplinares
Para além do impacto imediato na estreia do campeonato, a sanção pode ter ecos em termos de vigilância disciplinar. O Benfica já dispunha de uma pena suspensa por incidente anterior em provas da UEFA; caso se verifiquem novas infrações desse tipo até ao prazo referido pelas instâncias competentes, o clube poderia enfrentar sanções adicionais nas competições europeias.
- Sanção aplicada: jogo à porta fechada + coima de 150.000€
- Incidentes considerados: deflagração de pirotecnia em vários encontros da época 2022/23
- Recurso: decisão apontada como não recorrível
A contestação pública do Benfica coloca as entidades responsáveis perante o desafio de justificar proporcionalidade e uniformidade na aplicação de castigos, num tema sensível que envolve segurança, comportamento de adeptos e imagem do futebol português. Resta agora perceber como a APCVD e outras instâncias — incluindo a própria comunicação social e os clubes afetados — irão acompanhar e reagir a este desfecho, assim como quais as medidas concretas que o Benfica e as autoridades do futebol nacional adoptarão para evitar reincidências.
O caso promete acompanhar o arranque da nova época e manterá alto grau de atenção pública, dado o potencial impacto desportivo e os argumentos levantados pelo clube quanto a critérios e precedentes disciplinares.