Criticismo público sobre apoios prometidos
Os Bombeiros Voluntários de Leiria denunciaram a ausência de apoios estatais para as obras de reconstrução dos quartéis afectados pela tempestade Kristin, que atingiu a região há seis meses. Em declarações públicas, José Almeida Lopes, presidente da Associação Humanitária, sublinhou que as intervenções já em curso têm sido asseguradas sobretudo por solidariedade privada e donativos, não havendo, até ao momento, resposta concreta das entidades do Estado responsáveis.
A visita do executivo municipal a alguns locais sinistrados, realizada no âmbito do aniversário da intempérie, ficou marcada pelo contraste entre os fundos angariados por via privada e a expectativa de apoios institucionais que, segundo o dirigente, não se materializaram.
Obras em curso, mas ainda com lacunas financeiras
As obras no quartel de Leiria já avançaram com contributos de empresas e da Fundação Galp, que destinou 650.000 euros para aquele equipamento. Para o quartel de Monte Redondo a mesma fundação concedeu 300.000 euros. Ainda assim, José Almeida Lopes afirma que faltam cerca de 800.000 euros para cobrir totalmente a reconstrução do quartel de Leiria.
| Local | Custo estimado | Contribuição da Fundação Galp |
|---|---|---|
| Quartel de Leiria | ~1.000.000 € | 650.000 € |
| Quartel de Monte Redondo | ~1.100.000 € | 300.000 € |
O presidente da associação refere ainda que a candidatura junto da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) Centro permanece sem resposta e que da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, que tutela os bombeiros, não houve qualquer manifestação de apoio financeiro até ao momento.
Melhorias além da reparação imediata
Além de repor o que foi danificado pela intempérie, a intervenção em curso procura reforçar valências e tornar as instalações mais resilientes. Estão previstas melhorias nas condições sanitárias e de descanso dos bombeiros e adaptações estruturais na cobertura, com uma estrutura metálica pensada para oscilar perante ventos fortes, segundo o mesmo responsável.
- Obra no quartel de Leiria: custo estimado de 1 milhão de euros;
- Obra em Monte Redondo: custo estimado de 1,1 milhões de euros;
- Fundos privados e da Fundação Galp cobriram parte dos encargos, mas subsiste um défice.
“Tivemos algumas empresas que comparticiparam e a Fundação Galp que, para este quartel, deu 650 mil euros, e para Monte Redondo deu 300 mil. Estamos ainda aflitos a ver de onde poderão vir os 800 mil que faltam.”
O responsável recordou que, no dia seguinte à tempestade, a corporação iniciou trabalhos de limpeza e intervenção para não interromper o socorro às populações. As obras que agora decorrem incluem também a instalação de soluções que permitam ao quartel resistir a futuros ventos fortes, procurando evitar a imobilização de viaturas e equipamentos que se verificou após a intempérie.
Para os habitantes de Leiria, a questão ultrapassa a mera reconstrução física: trata-se de garantir a operacionalidade contínua dos serviços de emergência e a segurança da comunidade. A ausência de resposta estatal, segundo a direção dos bombeiros, coloca pressão sobre a sustentabilidade financeira da corporação e sobre a capacidade de melhorar o serviço prestado.
Até ao momento não há indicações públicas de um montante estatal aprovado para estas obras nem de um calendário de desembolso. A comunidade local segue, por isso, a evolução das candidaturas e das obras com interesse direto no restabelecimento pleno da resposta de emergência no distrito.