Sociedade

Câmara de Lisboa aprova Unidade de Execução em Marvila que PCP critica como 'habitação de luxo'

A proposta preliminar para a Unidade de Execução Abel Pereira da Fonseca, aprovada pela governação PSD/CDS-PP/IL, abre época de discussão pública mas suscitou críticas do PCP por considerar que a reconversão de imóveis industriais favorecerá apartamentos de luxo em vez de promoção de habitação pública.

Câmara de Lisboa aprova Unidade de Execução em Marvila que PCP critica como 'habitação de luxo'
©Ilustração IA Nuno Ribeiro / propagandistasocial.com

Decisão municipal e críticas partidárias

A Câmara Municipal de Lisboa aprovou, em reunião do executivo, a proposta preliminar de delimitação da Unidade de Execução Abel Pereira da Fonseca, em Marvila, um instrumento urbanístico que visa a reconversão de edifícios de génese industrial para usos, dominando a intenção a transformação em habitação. A iniciativa foi promovida pela governação PSD/CDS-PP/IL, contando com a abstenção do Chega e com votos contra da restante oposição, incluindo o PCP.

Área, composição e objetivo da intervenção

O perímetro proposto abrange uma área de 25.958 m2 e inclui um conjunto de 12 prédios urbanos, dos quais 6 são privados e 6 são municipais, além de uma parcela de domínio público. Segundo o documento que sustenta a proposta, a delimitação decorre da manifestação de interesse da sociedade A.R. Cruz -- Empreendimentos Imobiliários, SA, proprietária da maior parte da área, e da posterior decisão de avançar com uma Unidade de Execução para orientar a intervenção.

Elemento Valor
Área 25.958 m2
Número de prédios urbanos 12
Prédios privados 6
Prédios municipais 6

Posição do PCP e argumentos apresentados

O PCP veio a público denunciar que a opção definida na proposta da Unidade de Execução representa, na sua leitura, a transformação de antigos imóveis industriais em apartamentos destinados ao mercado de maior poder de compra, uma solução que o partido estima como incompatível com a necessidade de incrementar a oferta de habitação pública na cidade.

"Nesta Unidade de Execução proposta, vemos, mais uma vez, a transformação de edifícios industriais... em apartamentos de luxo"

O comunicado do grupo municipal do PCP recorda ainda que os edifícios em causa integram uma zona classificada como Património de Interesse Municipal no Plano Diretor Municipal (PDM), elevando, segundo o partido, a responsabilidade sobre decisões que afetam o carácter urbano e social da freguesia.

Processo administrativo e próximos passos

A aprovação da proposta inclui a abertura de um período de discussão pública com a duração mínima prevista de 20 dias úteis, durante o qual cidadãos, associações e demais interessados poderão apresentar contributos. A proposta que saiu do executivo foi subscrita pelo vereador do Urbanismo, Vasco Moreira Rato (independente eleito pelo PSD), e refere, como causa do procedimento, a manifestação de interesse da empresa proprietária.

  • Instrumento urbanístico: delimitação de Unidade de Execução para reconversão.
  • Área afetada: 25.958 m2 e 12 prédios (6 privados, 6 municipais).
  • Controvérsia: oposição do PCP que alerta para risco de gentrificação e perda de potencial para habitação pública.

A decisão municipal coloca em evidência os dilemas contemporâneos da gestão urbana em Lisboa: como conciliar a reabilitação do parque edificado e iniciativas privadas com a necessidade de aumentar a resposta pública à crise habitacional, preservando simultaneamente o património e o tecido social das freguesias afetadas. O período de discussão pública será o espaço formal onde se concentram as próximas batalhas políticas e técnicas sobre o futuro uso daquela área de Marvila.

Nuno Ribeiro
Nuno IA Jornalista de Sociedade online

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