Campanha de amostragem que inclui o litoral de Sintra
O Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR) realiza entre 20 e 24 de julho uma campanha científica de mapeamento dos fundos marinhos na faixa costeira que serve os concelhos de Sintra, Cascais e Mafra. A operação, com levantamentos a decorrer diariamente entre as 07h00 e as 20h00, vai recorrer a um veículo subaquático operado por controlo remoto (ROV), técnica que permite observações e recolhas em profundidades e zonas de difícil acesso por meios convencionais.
Os trabalhos inserem‑se no processo de constituição de uma Área Marinha Protegida de Interesse Comunitário (AMPIC) para a região, iniciativa que junta os três municípios e a Fundação Oceano Azul. O objectivo é identificar habitats e estruturas bentónicas de elevado valor ecológico, cuja protecção visa conciliar conservação e usos humanos numa zona sujeita a pressão por actividades costeiras e marítimas.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Período | 20–24 de julho |
| Horário | 07h00–20h00 |
| Equipamento | ROV (robot subaquático) |
| Financiamento | 1 000 000 € (Fundo Ambiental) |
Desde 2021 que a costa entre Sintra, Mafra e Cascais está em processo de avaliação para uma AMPIC. Em 2022 já foi organizada uma expedição que recolheu dados iniciais; os estudos agora programados, incluindo componentes científicos, socioeconómicos e participativos, foram contemplados com um apoio financeiro de um milhão de euros para aprofundar o conhecimento necessário à proposta final.
A criação de uma área marinha protegida tende a ter efeitos práticos locais: poderá condicionar zonas de pesca, definidos corredores para navegação e regras para actividades recreativas na orla marítima, além de abrir oportunidades para projectos de ciência aplicada, turismo de natureza e fiscalização integrada.
Para os moradores e operadores económicos de Sintra a campanha é relevante por várias razões:
- Aumenta o entendimento sobre habitats marinhos que influenciam a biodiversidade costeira e recursos pesqueiros.
- Antecipará medidas de gestão que podem alterar práticas de pesca, mergulho e outras actividades litorais.
- Abre perspetivas de envolvimento local em processos participativos previstos nos estudos socioeconómicos.
Fontes do projecto indicam que os resultados destas campanhas e dos estudos complementares vão fundamentar a proposta final da AMPIC, que pretende ser um modelo de conservação assente na cooperação entre câmaras, Estado, instituições científicas e sociedade civil. Os dados recolhidos pela equipa do CCMAR e pelas instituições parceiras serão determinantes para mapear áreas sensíveis e definir medidas de gestão adaptada ao contexto local.
Os habitantes de Sintra, em particular comunidades costeiras, profissionais ligados ao mar e entidades de turismo e ambiente, deverão acompanhar os calendários de participação pública e os relatórios técnicos que serão divulgados ao longo de 2026, quando for possível consultar as conclusões que sustentarão a proposta final da AMPIC.