Obras e acessos: Estrela fica a 55 metros e aposta em elevadores de grande capacidade
A futura estação da Estrela, parte do novo troço circular do Metropolitano de Lisboa, será a mais profunda da rede, instalada a 55 metros de profundidade. A entrada prevista face à Basílica, na extremidade sul do Jardim da Estrela, promete modificar a interface de circulação na zona, mas traz desafios de acessibilidade e logística que o consórcio de obras tenta resolver com soluções técnicas específicas.
Se não houver novos adiamentos, a operação do troço circular — um eixo de apenas 2 quilómetros — deverá arrancar no primeiro trimestre de 2027, mais de uma década depois da última expansão da rede (a Reboleira, na Linha Azul, foi inaugurada em abril de 2016). O calendário já sofreu várias derrapagens e a data de conclusão foi apontada para 2027, quatro anos depois do previsto inicialmente.
No interior da estação, o acesso à plataforma terá de ser assegurado por elevadores de grande capacidade — com lotação para 20 pessoas — e elevada velocidade, cuja viagem até ao átrio rondará os 20 segundos. Entre o cais e o primeiro nível acima da plataforma serão instaladas escadas mecânicas e elevadores; no mezanino, a ligação ao átrio será feita por seis elevadores, fornecidos pelo fabricante alemão Schmitt.
"poço de ataque"
A visita às escavações revelou que o "poço de ataque", aberto nos terrenos do antigo hospital militar junto ao jardim, foi o ponto de entrada para equipamentos e trabalhadores durante as obras. Apesar da aposta nos elevadores como solução principal de subida e descida, toda a estação incluirá lanços de escada normais entre a plataforma e a rua — uma extensão que equivalerá à altura de um prédio de 14 andares.
- Profundidade da estação: 55 m
- Elevadores de grande capacidade: 20 pessoas
- Tempo estimado de subida dos super‑elevadores: cerca de 20 segundos
- Elevadores no mezanino: 6 unidades
| Item | Valor |
|---|---|
| Comprimento do troço circular | 2 km |
| Última nova estação inaugurada | Reboleira (abril de 2016) |
| Conclusão prevista | 2027 |
Para os moradores e utentes da zona da Estrela, as obras significam tanto uma futura melhoria na ligação ao restante sistema de transportes como um período prolongado de construção e ajustes no espaço público junto ao jardim e à basílica. A previsão de elevadores rápidos e capazes visará garantir fluxos eficientes entre plataformas e superfície, mas exigirá manutenção rigorosa e planos de contingência caso algum equipamento falhe.
A obra integra‑se num projeto mais amplo que pretende relançar a interface do Cais do Sodré, acrescentando duas novas paragens ao troço. Além das soluções fixas — escadas normais e rolantes, e elevadores até à rua —, a profundidade da Estrela impõe um desenho de circulação singular na rede lisboeta, com impactos operacionais e exigências técnicas pouco habituais no metropolitano.
Até à abertura, prevista para 2027 se o cronograma se mantiver, os utentes deverão acompanhar comunicados do Metropolitano sobre testes, condicionamentos temporários e medidas de acessibilidade durante a fase final das obras.