O arranque da 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior ficou marcado por um ritmo de candidaturas significativamente mais lento do que no ano anterior e por dificuldades técnicas que condicionaram o trabalho nas escolas secundárias. Até terça-feira, segundo dia do prazo, o total de candidaturas já registadas situava-se em 2722, depois de no primeiro dia terem concorrido apenas 304 alunos.
Problemas nas escolas e impacto nas emissões
Fontes ligadas ao processo confirmam que, na segunda-feira, várias escolas experienciaram constrangimentos na emissão das fichas ENES — o documento que certifica a conclusão do ensino secundário e regista as classificações dos alunos para efeitos de candidatura ao ensino superior. O Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) afirmou que
“a funcionalidade de emissão da ficha ENES ficou disponível ao início da tarde”.Segundo o relato disponível, a origem do atraso terá sido múltipla: alterações sucessivas às classificações motivadas por erros informáticos na plataforma de classificação obrigaram à revisão e à substituição das pautas afixadas nas escolas, o que atrasou a emissão das fichas.
Queda acentuada face a 2025 e consequências
Em termos comparativos, o número de candidaturas nos dois primeiros dias deste ano é quase 14 000 inferior ao registado em 2025. Naquele ano, nos mesmos dois dias, concorreram ao ensino superior um total de 16 339 estudantes — 10 183 no primeiro dia e 6 156 no segundo — enquanto, no conjunto do concurso de 2025, haviam participado 49 495 candidatos.
- Risco de acumulação de candidaturas e pressão administrativa nas escolas caso os atrasos persistam.
- Possível impacto na calendarização do processo de ingresso nas universidades, se forem necessárias correcções generalizadas.
- Necessidade de clarificação por parte das autoridades sobre garantias de transparência e correção das classificações.
O cenário descrito coloca questões sobre a robustez das plataformas informáticas utilizadas nas avaliações e sobre os procedimentos de contigência das instituições escolares e do próprio EduQA. A falha na emissão atempada das fichas ENES pode também prejudicar estudantes cujo acesso ao ensino superior depende de prazos e da disponibilidade imediata desses documentos.
| Período | 1.º dia | 2.º dia | Total (2 dias) |
|---|---|---|---|
| 2026 | 304 | — (total acumulado 2722) | 2722 |
| 2025 | 10 183 | 6 156 | 16 339 |
Até ao fecho desta edição não há indicação de queixas formais massivas por parte de candidatos, mas as fontes ouvidas apontam para uma preocupação crescente nas escolas e entre encarregados de educação. O avanço irregular das candidaturas pode também agravar desigualdades de acesso, caso alunos de escalões mais vulneráveis encontrem maiores dificuldades em obter documentação ou em resolver situações provocadas por inconsistências nas notas.
As autoridades competentes foram contactadas para clarificar os prazos e explicar as medidas adotadas para corrigir os erros informáticos, bem como para assegurar que nenhum estudante será prejudicado pelo atraso na disponibilização das fichas ENES. A regularização deste processo é considerada crucial para evitar perturbações na seguinte fase do concurso e para garantir a confiança no sistema de acesso ao ensino superior.