Bienal da Água 2026 e o "Apelo de Cascais"
Iniciada em Cascais a 16 de julho, a primeira edição da Bienal da Água 2026 colocou a cidade no centro de um debate internacional sobre a gestão da água e a sua relação com a vida no planeta. O encontro, subordinado ao tema "As pegadas da água", incluiu uma conferência internacional dedicada ao chamado "Manifesto da Água" e culminou no lançamento do Apelo de Cascais, que reivindica a água como um bem público global e um elemento-chave na regeneração da vida.
O texto do Apelo remete para a memória do Manifesto promovido pelo Comité Internacional para o Contrato Mundial da Água há três décadas e evoca o papel de Mário Soares como figura que defendeu o direito universal à água. No discurso dos organizadores há uma marca clara: a aposta numa política da água que privilegie justiça, solidariedade, democracia e fraternidade, em contraponto aos processos de mercantilização e privatização apontados como responsáveis pela atual crise.
"A água é vida, a política da água é a política da vida"
O documento dirige-se, em primeiro lugar, às populações mais afetadas por aquilo que a Universidade das Nações Unidas designou, em dezembro de 2025, por "a falência hídrica mundial" — uma expressão que sublinha, segundo a Bienal, o colapso do sistema global dominante de gestão da água e de outros bens comuns vitais. O Apelo reclama ainda o apoio a ONG e a organizações que atuam localmente para garantir o direito à água.
Implicações para Cascais e região
Para os residentes de Cascais, a iniciativa implica várias consequências práticas: reforço da visibilidade do município em fóruns internacionais sobre água; potencial atração de projetos de investigação e cooperação; e pressão acrescida sobre autoridades locais e regionais para alinharem políticas de gestão hídrica com princípios de acesso universal e gestão pública dos recursos.
- Data de início da Bienal: 16 de julho de 2026
- Tema central: As pegadas da água
- Documento simbólico: Apelo de Cascais em defesa dos bens comuns
Além do enquadramento internacional, a Bienal e o Apelo poderão impulsionar iniciativas locais — desde campanhas de sensibilização a possíveis revisões de políticas municipais sobre abastecimento, resíduos e proteção de aquíferos — que dependem, em última instância, de decisões tomadas por entidades locais, regionais e nacionais.
| Evento | Local | Data |
|---|---|---|
| Bienal da Água 2026 | Cascais | 16 de julho |
Os organizadores descrevem o Apelo como uma chamada para abrir «novos horizontes de possibilidades para o futuro», recusando a mera restauração de um passado em declínio e apelando a uma política planetária da água orientada para a regeneração da vida. Para os cidadãos de Cascais, torna-se relevante acompanhar como essa agenda internacional se traduzirá em medidas concretas na gestão local da água e na proteção do património natural do concelho.