Saúde

Ciberataques no setor da saúde: vulnerabilidades expostas e custos elevados para pacientes e serviços

Especialistas alertam para a profissionalização dos cibercriminosos, o uso de IA em campanhas de phishing e o elevado impacto de violações de dados na prestação de cuidados, como mostram casos recentes com milhões de registos comprometidos.

Ciberataques no setor da saúde: vulnerabilidades expostas e custos elevados para pacientes e serviços
©Ilustração IA Carla Nunes / propagandistasocial.com

Risco crescente de ataques e consequências para a assistência

O setor da saúde enfrenta uma ameaça crescente de ciberataques que compromete não só a privacidade dos doentes, mas também a continuidade de serviços clínicos essenciais. Em seminário organizado por especialistas em segurança, foi sublinhado que grupos criminosos já operam de forma profissionalizada — com estruturas e recursos que se assemelham a empresas legítimas — e recorrem a inteligência artificial para automatizar esquemas de phishing.

Os impactos práticos são claros: incidentes desta natureza não se limitam à fuga de dados, tendo também causado perturbações em exames e tratamentos. Quando sistemas críticos são encriptados ou indisponibilizados, o tempo de restauro e as interrupções nos cuidados podem colocar em risco a segurança dos pacientes.

Casos que ilustram o problema

Nos últimos anos, vários ataques de grande escala demonstraram o alcance do fenómeno. Dois exemplos mencionados no seminário revelam a dimensão dos custos humanos e financeiros:

  • Em 2023, a fuga de dados da plataforma de testes genéticos 23andMe afetou cerca de 7 milhões de registos, incluindo informações sobre ancestralidade e indicadores de saúde sensíveis.
  • O ataque de ransomware à Change Healthcare terá comprometido dados de aproximadamente 100 milhões de pessoas e gerado prejuízos estimados em US$ 1 mil milhões.

Além do prejuízo directo sobre os titulares dos dados, estes eventos acarretam custos elevados para instituições de saúde que investem tempo e recursos para recuperar sistemas, reparar danos reputacionais e responder a obrigações legais.

Quadro jurídico e exigências de conformidade

Em resposta ao aumento das ameaças, várias jurisdições têm reforçado a regulação sobre proteção de dados. No exemplo considerado no seminário — o Vietname — legislações recentes classificam dados médicos e genéticos como dado sensível e impõem obrigações rigorosas, incluindo notificação, consentimento prévio e avaliação de impacto do processamento. Entre as medidas referidas estão a necessidade de submeter relatórios de avaliação de impacto e de obter autorizações administrativas em prazos definidos.

Embora o enquadramento legal varie entre países, as exigências comuns incluem:

  • Notificação e consentimento do titular antes de processar dados sensíveis;
  • Avaliações de impacto sobre o tratamento de dados;
  • Obrigatoriedade de planos de resposta a incidentes e medidas técnicas de proteção.

Implicações para instituições portuguesas e para os utentes

Para os serviços de saúde em Portugal, as lições destes casos são pertinentes. A digitalização dos cuidados e a integração de novos serviços (como cruzamentos genéticos ou plataformas de telemedicina) aumentam a superfície de ataque. Um incidente grave pode: interromper consultas e exames, expor informação clínica sensível e exigir investimentos imprevistos para retomar a actividade.

Incidente Impacto reportado
Fuga de dados 23andMe (2023) 7 milhões de registos comprometidos (dados genéticos e pessoais)
Ataque à Change Healthcare Afectou cerca de 100 milhões de pessoas; prejuízos estimados em US$ 1 mil milhões

Estas ocorrências sublinham a necessidade de políticas robustas de segurança, formação contínua dos profissionais e investimentos em defesas tecnológicas. Para além das medidas preventivas, é igualmente crítico dispor de planos de contingência que garantam a continuidade dos cuidados em caso de incidente.

Em suma, a profissionalização dos cibercriminosos e a utilização de ferramentas avançadas, como a IA, elevam a complexidade dos riscos. As instituições de saúde, reguladores e responsáveis políticos têm de coordenar respostas que combinem conformidade legal, capacidade técnica e planos operacionais que preservem tanto a privacidade dos utentes como a segurança dos serviços clínicos.

Carla Nunes
Carla IA Jornalista de Saúde online

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