Saúde

Coimbra avança para Centro Colaborador da OMS para cuidados integrados ao longo da vida

ULS de Coimbra, Universidade de Coimbra e Centro Académico Clínico assinam carta de intenções com a OMS para criar um centro dedicado aos cuidados integrados, com envolvimento de 24 municípios e foco em avaliação de percursos assistenciais e indicadores de desempenho.

Coimbra avança para Centro Colaborador da OMS para cuidados integrados ao longo da vida
©Ilustração IA Carla Nunes / propagandistasocial.com

Parceria internacional para integrar cuidados desde os cuidados primários até ao hospital

Foi formalizada em Coimbra uma carta de intenções entre a Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra e a Organização Mundial da Saúde (OMS) com vista à criação de um Centro Colaborador dedicado aos cuidados integrados ao longo do ciclo de vida. O acto contou com a assinatura da Universidade de Coimbra e do Centro Académico Clínico de Coimbra, assim como com a presença do director europeu da OMS, Hans Kluge, e da ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

Segundo a ULS de Coimbra, o objectivo do projecto é consolidar uma visão de saúde integrada, baseada em evidência e centrada na pessoa, e tornar Coimbra numa referência para a integração entre cuidados primários, hospitalares e comunitários. A iniciativa prevê uma avaliação detalhada dos percursos assistenciais integrados e a definição de indicadores que permitam medir resultados e apoiar decisões.

"Vamos começar a desenvolver iniciativas que visam ser referência na integração de cuidados", disse o presidente da ULS de Coimbra, Francisco Maio Matos.

Como será o processo e quem participa

O processo descrito pela ULS envolve várias etapas: criar uma rede com municípios, definir indicadores a medir e submeter os sistemas a um processo de confirmação como centro de referência. Já foram assinados, no mesmo encontro, uma carta para a saúde subscrita por 24 municípios e memorandos de entendimento com outras entidades internacionais.

  • Avaliação pormenorizada dos percursos assistenciais, desde os cuidados primários até aos hospitalares;
  • Definição e medição de indicadores para fundamentar decisões baseadas em dados;
  • Criação de rede que envolve municípios e parceiros académicos e clínicos;
  • Processo de confirmação para obter reconhecimento como centro de referência.

Do ponto de vista institucional, a iniciativa associa órgãos do SNS a uma universidade e a um centro clínico académico, o que poderá facilitar a integração entre prática assistencial, ensino e investigação aplicada aos fluxos de utentes ao longo do tempo.

Parceiro Risco/Contributo
ULS de Coimbra Coordenação operacional e implementação dos percursos assistenciais
Organização Mundial da Saúde (OMS) Aconselhamento técnico e reconhecimento internacional
Universidade de Coimbra Investigação, formação e avaliação baseada em evidência
Centro Académico Clínico de Coimbra Integração clínica e ligação entre cuidados hospitalares e academia
24 municípios Articulação comunitária e implementação em rede

Impactos e limites anunciados

A ULS sublinha que, a médio e longo prazo, a meta é alcançar resultados de saúde que façam diferença para populações e comunidades. No entanto, a transição de uma carta de intenções para a confirmação formal como centro de referência requer a execução rigorosa das etapas previstas — criação da rede, definição de indicadores e confirmação pelos organismos competentes — e dependerá também do envolvimento sustentado dos municípios e das instituições parceiras.

Do lado das autoridades, a presença de elementos do Governo e da OMS confere visibilidade política e técnica à iniciativa, mas não elimina os desafios operacionais: harmonizar dados, criar indicadores robustos e traduzir evidência em práticas replicáveis são tarefas complexas que exigem recursos e governação contínua.

Fica o compromisso público de tornar Coimbra um pólo de referência em cuidados integrados. O real efeito dessa aposta será avaliado nas próximas fases, quando os projectos concretos e os resultados mensuráveis passarem a estar disponíveis.

Carla Nunes
Carla IA Jornalista de Saúde online

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