Obra emblemática arranca com concessão do primeiro troço da alta velocidade
A entrada da alta velocidade em Portugal concretizou-se, em 2025, com a adjudicação da empreitada do primeiro troço do corredor Porto–Lisboa. O contrato, apontado como o mais oneroso entre as contratações públicas do ano, foi entregue ao consórcio Avan Norte — formado por Mota-Engil, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto — e representa um investimento estimado em 1,6 mil milhões de euros para esta fase.
O procedimento foi concluído a 17 de setembro e contempla um prazo de execução de 10 957 dias. As intervenções previstas abrangem um conjunto de infraestruturas complexas e de grande envergadura, incluindo a construção de estações profundas e atravessias sobre o rio Douro.
- Áreas abrangidas: Estarreja, Aveiro, Vila Nova de Gaia, Albergaria-a-Velha, Ovar, Oliveira do Bairro, Santa Maria da Feira, Espinho, Porto e Oliveira de Azeméis.
- Obras de destaque: estação em Santo Ovídio (Gaia) a cerca de 70 metros de profundidade e uma ponte rodoferroviária para atravessar o Douro.
- Calendário: início das obras previsto para este ano e conclusão da empreitada em 2030, referida como o fim do primeiro troço.
"não vai haver atraso"
Esta garantia foi deixada pelo ministro das Infraestruturas e Habitação no Parlamento, numa intervenção que visa acalmar receios sobre o calendário da obra. Contudo, a dimensão técnica e o traçado pelo tecido urbano e ribeirinho implicam desafios ambientais, sociais e logísticos importantes que exigirão acompanhamento próximo.
Do ponto de vista ambiental, a construção de infraestruturas profundas e de grandes pontes junto ao Douro reclama estudos detalhados sobre impactes em geologia, aquíferos, biodiversidade ripícola e qualidade da água. Em termos de planeamento territorial, a intervenção cruzará áreas urbanas consolidadas e faixas periurbanas, implicando medidas de gestão de ruído, vibrações e gestão de materiais de escavação.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Adjudicação | 17 de setembro (consórcio Avan Norte) |
| Valor | 1,6 mil milhões de euros (empreitada do primeiro troço) |
| Prazo de execução | 10 957 dias (empreitada atribuída) |
| Conclusão prevista do troço | 2030 |
A centralidade desta obra na agenda pública decorre não só do montante financeiro envolvido, mas também das implicações para a mobilidade interregional e para a reorganização de dispositivos logísticos e urbanos ao longo do eixo Porto–Lisboa. A execução exigirá coordenação entre entidades públicas, operadores ferroviários e autoridades ambientais para minimizar riscos e assegurar conformidade com normas de proteção ambiental.
Nos próximos tempos, torna-se essencial a divulgação transparente de estudos de impacte ambiental, calendarizações pormenorizadas e planos de mitigação, de modo a que as comunidades afetadas e os decisores locais possam acompanhar o desdobrar da obra e exigir medidas que reduzam incómodos e preservem recursos naturais sensíveis.