O antigo presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, Carlos Cordeiro, anunciou esta sexta‑feira a sua demissão como conselheiro da FIFA, numa declaração em que critica frontalmente a intenção do presidente Gianni Infantino de alienar participações da organização do Mundial a investidores privados. Cordeiro, de 70 anos, afirmou ser incapaz de assistir "de braços cruzados" à proposta, sublinhando a sua oposição inequívoca.
A decisão surge após a divulgação da ideia de Infantino de vender um total de 20% das participações relativas ao Mundial a investidores externos. A proposta já mereceu reserva pública por parte de várias confederações, com a UEFA, a CONCACAF e a AFC a manifestarem preocupação. A CONMEBOL ainda não se pronunciou sobre o assunto.
Motivações e críticas
No comunicado que acompanhou a sua demissão, Carlos Cordeiro esclareceu que não teve qualquer envolvimento na proposta em causa e que se opõe a ela "inequivocamente". Para o dirigente, a ideia de Infantino configura um "mau negócio para o futebol" — uma afirmação que destaca não só a discordância pessoal como a percepção de risco para o modelo de organização e financiamento das competições futebolísticas internacionais.
"Não posso ficar de braços cruzados enquanto a FIFA considera vender parte da participação no Mundial"
A saída de Cordeiro, figura com experiência e visibilidade — foi um dos representantes da FIFA na Casa Branca durante o Mundial — cria um sinal político interno de contestação que pode activar debates mais alargados sobre a estratégia económica da entidade. A demissão eleva a questão de uma mera proposta técnica para um problema de governança com reflexos reputacionais.
Implicações e actores envolvidos
Perante a reação pública das confederações regionais, as próximas semanas poderão ser determinantes para o futuro da proposta de venda de participações. A oposição já tornada pública por UEFA, CONCACAF e AFC aponta para um consenso crítico em diversos territórios, o que poderá condicionar a capacidade de execução de qualquer plano que envolva parceiros privados e alterações ao controlo sobre o Mundial.
- Carlos Cordeiro: demitiu‑se do conselho da FIFA, afirmou oposição inequívoca e negou envolvimento na proposta.
- Gianni Infantino: responsável pela intenção de vender até 20% das participações da competição a investidores privados.
- Confederações: UEFA, CONCACAF e AFC demonstraram preocupação; CONMEBOL não se pronunciou até agora.
Embora a fonte não detalhe os termos financeiros ou contratuais da proposta, a menção de uma percentagem concreta (20%) e a oposição pública de estruturas regionais evidenciam a sensibilidade do tema. A demissão de um conselheiro com histórico de liderança nacional e experiência em representação internacional acrescenta pressão mediática e política para esclarecimentos adicionais por parte da FIFA.
| Actor | Posição/Estado |
|---|---|
| Carlos Cordeiro | Demissão; oposição pública à venda de participações |
| Gianni Infantino | Proposta de venda de até 20% das participações do Mundial |
| UEFA / CONCACAF / AFC | Manifestaram preocupação e desaprovação |
| CONMEBOL | Sem posição oficial comunicada |
Os próximos movimentos da FIFA — seja para clarificar a proposta, para dialogar com as confederações ou para apresentar alternativas — serão observados de perto por federações, clubes, agentes e adeptos. A oposição interna formalizada por uma demissão pública coloca a governação da entidade sob escrutínio acrescido, exigindo respostas transparentes que expliquem impactos, garantias e eventuais salvaguardas para o futuro da competição mais lucrativa do calendário futebolístico.
Enquanto isso, a posição pública de Cordeiro e as reservas expressas por várias confederações consolidam um debate que combina aspetos financeiros, institucionais e identitários do futebol global.