Queda acentuada da atividade consultativa preocupa planeamento regional
Os hospitais públicos dos Açores realizaram, no segundo trimestre de 2026, um total de 83.989 consultas, contra 103.273 no trimestre anterior — uma diminuição de 18,7%, segundo dados preliminares divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) com origem no Sistema de Informação da Saúde Açores (SISA). Nas unidades de saúde de ilha, o total de consultas passou de 198.354 para 185.494, uma redução de 6,5%.
Esta quebra foi transversal aos três hospitais da Região Autónoma, com perdas absolutas e percentuais relevantes em cada uma das unidades: o Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, viu o número de consultas cair de 64.257 para 51.701 (menos 12.556, ou 19,5%). No Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira as consultas passaram de 25.557 para 20.732 — uma diminuição de 4.825 consultas (menos 18,9%) — e o Hospital da Horta registou uma descida de 1.903 consultas, de 13.459 para 11.556 (queda de 14,1%).
Os números do SREA têm por origem o Sistema de Informação da Saúde Açores (SISA).
Nas nove unidades de saúde de ilha a redução foi menor em termos percentuais, mas continua relevante em termos de acesso: o total recuou de 198.354 para 185.494, menos 12.860 consultas no trimestre, o correspondente a 6,5%. Apesar da tendência global de descida, três unidades — Santa Maria, Pico e Flores — registaram acréscimos da atividade assistencial, enquanto a Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel concentrou a maior perda absoluta: 97.755 consultas no segundo trimestre face a 107.027 no primeiro (-9.272, ou 8,7%).
Os dados por ilha ilustram variações que podem reflectir fatores locais na procura e na organização dos cuidados: na Terceira as consultas passaram de 42.100 para 38.980 (menos 3.120, -7,4%); em São Jorge houve uma queda de 9.928 para 9.154 (menos 774, -7,8%); a Graciosa recuou de 6.002 para 5.644 (menos 358, -6,0%); e o Faial apresentou uma diminuição mais ligeira, de 9.509 para 9.383 (menos 126, -1,3%).
Do ponto de vista da organização de serviços, uma queda desta dimensão coloca questões imediatas sobre a oferta e a procura de cuidados: será reflexo de redução programada de consultas, de capacidade de resposta mais limitada, de alterações na procura por parte da população ou de mudanças nos circuitos de encaminhamento e teleconsulta? Os dados divulgados são preliminares e não detalham as causas, pelo que a interpretação exige cautela e apuramento adicional pelas entidades responsáveis.
Para profissionais de saúde e decisores políticos, conhecer exactamente onde e porquê se verificaram essas reduções é crucial para garantir que não haja deterioração do acesso aos cuidados, especialmente para utentes com necessidades crónicas ou processos que requerem seguimento continuado. A análise desagregada por especialidade, por tipo de consulta (primeira consulta versus seguimento) e por recurso a consultas remotas será determinante para entender o fenómeno.
- Hospitais: redução trimestral de 18,7% nas consultas (83.989 vs 103.273).
- Unidades de saúde de ilha: redução de 6,5% no mesmo período (185.494 vs 198.354).
- Impacto desigual por ilha e por hospital, com três unidades a aumentar atividade.
| Unidade | 1.º Trimestre | 2.º Trimestre | Variação (absoluta) | Variação (%) |
|---|---|---|---|---|
| Hospital do Divino Espírito Santo (Ponta Delgada) | 64.257 | 51.701 | -12.556 | -19,5% |
| Hospital de Santo Espírito (Terceira) | 25.557 | 20.732 | -4.825 | -18,9% |
| Hospital da Horta | 13.459 | 11.556 | -1.903 | -14,1% |
| Total Hospitais | 103.273 | 83.989 | -19.284 | -18,7% |
| Total Unidades de Saúde de Ilha | 198.354 | 185.494 | -12.860 | -6,5% |
A publicação destes números pelo SREA obriga a clarificações por parte do Serviço de Saúde dos Açores sobre os determinantes desta evolução: alterações de agendamento, cancelamentos, efeitos sazonais, disponibilidade de profissionais ou uso crescente de alternativas não presenciais. Sem essa informação complementar, qualquer conclusão sobre consequências clínicas e administrativas permanece parcial.
Em termos práticos, a redução de consultas pode corresponder a menores listas de espera formais no curto prazo, mas também a risco de acumulação de necessidades não respondidas e atrasos diagnósticos. O equilíbrio entre gestão de atividade, qualidade do cuidado e equidade no acesso continua a ser um desafio central para as regiões insulares e para o sistema de saúde nacional.