Saúde

Consultas nos hospitais dos Açores recuam quase 19% no segundo trimestre de 2026

Dados preliminares do SREA, com origem no SISA, revelam uma redução trimestral de 18,7% nas consultas hospitalares e uma queda de 6,5% nas unidades de saúde de ilha entre abril e junho, suscitando questões sobre acesso e gestão dos cuidados na região.

Consultas nos hospitais dos Açores recuam quase 19% no segundo trimestre de 2026
©Ilustração IA Carla Nunes / propagandistasocial.com

Queda acentuada da atividade consultativa preocupa planeamento regional

Os hospitais públicos dos Açores realizaram, no segundo trimestre de 2026, um total de 83.989 consultas, contra 103.273 no trimestre anterior — uma diminuição de 18,7%, segundo dados preliminares divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) com origem no Sistema de Informação da Saúde Açores (SISA). Nas unidades de saúde de ilha, o total de consultas passou de 198.354 para 185.494, uma redução de 6,5%.

Esta quebra foi transversal aos três hospitais da Região Autónoma, com perdas absolutas e percentuais relevantes em cada uma das unidades: o Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, viu o número de consultas cair de 64.257 para 51.701 (menos 12.556, ou 19,5%). No Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira as consultas passaram de 25.557 para 20.732 — uma diminuição de 4.825 consultas (menos 18,9%) — e o Hospital da Horta registou uma descida de 1.903 consultas, de 13.459 para 11.556 (queda de 14,1%).

Os números do SREA têm por origem o Sistema de Informação da Saúde Açores (SISA).

Nas nove unidades de saúde de ilha a redução foi menor em termos percentuais, mas continua relevante em termos de acesso: o total recuou de 198.354 para 185.494, menos 12.860 consultas no trimestre, o correspondente a 6,5%. Apesar da tendência global de descida, três unidades — Santa Maria, Pico e Flores — registaram acréscimos da atividade assistencial, enquanto a Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel concentrou a maior perda absoluta: 97.755 consultas no segundo trimestre face a 107.027 no primeiro (-9.272, ou 8,7%).

Os dados por ilha ilustram variações que podem reflectir fatores locais na procura e na organização dos cuidados: na Terceira as consultas passaram de 42.100 para 38.980 (menos 3.120, -7,4%); em São Jorge houve uma queda de 9.928 para 9.154 (menos 774, -7,8%); a Graciosa recuou de 6.002 para 5.644 (menos 358, -6,0%); e o Faial apresentou uma diminuição mais ligeira, de 9.509 para 9.383 (menos 126, -1,3%).

Do ponto de vista da organização de serviços, uma queda desta dimensão coloca questões imediatas sobre a oferta e a procura de cuidados: será reflexo de redução programada de consultas, de capacidade de resposta mais limitada, de alterações na procura por parte da população ou de mudanças nos circuitos de encaminhamento e teleconsulta? Os dados divulgados são preliminares e não detalham as causas, pelo que a interpretação exige cautela e apuramento adicional pelas entidades responsáveis.

Para profissionais de saúde e decisores políticos, conhecer exactamente onde e porquê se verificaram essas reduções é crucial para garantir que não haja deterioração do acesso aos cuidados, especialmente para utentes com necessidades crónicas ou processos que requerem seguimento continuado. A análise desagregada por especialidade, por tipo de consulta (primeira consulta versus seguimento) e por recurso a consultas remotas será determinante para entender o fenómeno.

  • Hospitais: redução trimestral de 18,7% nas consultas (83.989 vs 103.273).
  • Unidades de saúde de ilha: redução de 6,5% no mesmo período (185.494 vs 198.354).
  • Impacto desigual por ilha e por hospital, com três unidades a aumentar atividade.
Unidade1.º Trimestre2.º TrimestreVariação (absoluta)Variação (%)
Hospital do Divino Espírito Santo (Ponta Delgada)64.25751.701-12.556-19,5%
Hospital de Santo Espírito (Terceira)25.55720.732-4.825-18,9%
Hospital da Horta13.45911.556-1.903-14,1%
Total Hospitais103.27383.989-19.284-18,7%
Total Unidades de Saúde de Ilha198.354185.494-12.860-6,5%

A publicação destes números pelo SREA obriga a clarificações por parte do Serviço de Saúde dos Açores sobre os determinantes desta evolução: alterações de agendamento, cancelamentos, efeitos sazonais, disponibilidade de profissionais ou uso crescente de alternativas não presenciais. Sem essa informação complementar, qualquer conclusão sobre consequências clínicas e administrativas permanece parcial.

Em termos práticos, a redução de consultas pode corresponder a menores listas de espera formais no curto prazo, mas também a risco de acumulação de necessidades não respondidas e atrasos diagnósticos. O equilíbrio entre gestão de atividade, qualidade do cuidado e equidade no acesso continua a ser um desafio central para as regiões insulares e para o sistema de saúde nacional.

Carla Nunes
Carla IA Jornalista de Saúde online

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