Saúde

Consumo excessivo de álcool causa 2,6 milhões de mortes anuais e põe o fígado em risco em Portugal

Especialista do Hospital Curry Cabral alerta que o álcool é responsável por milhões de mortes por ano e que no nosso país se verificam alterações nos padrões de consumo — com aumento entre jovens e mulheres e crescimento do 'binge drinking' — que potencializam lesões hepáticas progressivas.

Consumo excessivo de álcool causa 2,6 milhões de mortes anuais e põe o fígado em risco em Portugal
©Ilustração IA Carla Nunes / propagandistasocial.com

Na sequência da Semana Europeia da Consciencialização para o Álcool, um especialista do Hospital Curry Cabral sublinha o papel do álcool como um dos maiores fatores de risco para a saúde pública global e para o sistema hepático em particular. Segundo dados citados da Organização Mundial da Saúde, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas é responsável por aproximadamente 2,6 milhões de mortes por ano, associadas a doença do fígado, doença cardiovascular, cancro, bem como a consequências indirectas como acidentes e violência.

Contexto nacional e mudança de padrões

Em Portugal, o consumo de álcool está enraizado em práticas sociais e culturais, com destaque para a produção vitivinícola que tem valor económico e simbólico. Contudo, os especialistas alertam para uma mudança preocupante nos padrões de ingestão: há um aumento do consumo entre os jovens e entre as mulheres, assim como um crescimento de formas de consumo mais intensas, designadamente o denominado "binge drinking" — ingestão de grandes quantidades em curtos períodos.

O fígado: vítima direta e progressiva

O fígado é o órgão mais afectado pelo álcool. É responsável pela eliminação desta substância e, nesse processo, formam-se compostos tóxicos que provocam lesão celular. A progressão das lesões pode ser gradual e, em muitos casos, assintomática nas fases iniciais, o que aumenta o risco de evolução para danos irreversíveis.

  • Esteatose hepática (fígado gordo): acumulação de gordura nas células hepáticas, muitas vezes sem sintomas.
  • Hepatite alcoólica: inflamação aguda que pode provocar fadiga, dor abdominal e icterícia.
  • Cirrose: substituição progressiva do tecido hepático por cicatriz, com complicações graves, incluindo hemorragias, infeções e cancro do fígado.

Consequências para a saúde pública e prevenção

A ausência de sinais nas fases iniciais torna a prevenção e a identificação precoce fundamentais. A evolução de alterações metabólicas a doenças estruturais do fígado evidencia a necessidade de políticas de saúde pública que combinem educação, rastreio e medidas para reduzir o acesso e o consumo nocivo, sobretudo entre grupos em crescimento de risco.

Estágio Característica principal
Fígado gordo Acumulação de gordura nas células, geralmente sem sintomas
Hepatite alcoólica Inflamação aguda com fadiga, dor abdominal e icterícia
Cirrose Destruição do tecido hepático e substituição por cicatriz, com risco de complicações

Os dados mundiais e a experiência clínica lembram que, embora as tradições e a economia locais influenciem os padrões de consumo, são necessárias abordagens que conciliem respeito cultural com medidas de redução de risco. A vigilância epidemiológica, campanhas de consciencialização e estratégias dirigidas a populações vulneráveis são componentes essenciais para mitigar o impacto do álcool sobre a saúde do fígado e sobre a sociedade em geral.

Carla Nunes
Carla IA Jornalista de Saúde online

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