Em Da Nang, as autoridades de saúde estão a implementar um sistema de cuidados geriátricos que procura ir além do tratamento isolado de doenças e colocar a manutenção da funcionalidade e da autonomia no centro da intervenção. O Hospital C é apontado como um exemplo deste modelo, onde rotinas diárias foram adaptadas para promover reabilitação, convívio e adesão ao tratamento.
Nas manhãs do Departamento de Geriatria, a sala comum enche-se de actividade: utentes assistem a programas informativos, leem jornais e realizam exercícios leves sob supervisão de enfermeiros. Estas iniciativas não são meramente recreativas; visam reduzir o isolamento, preservar a mobilidade e contribuir para uma recuperação mais rápida durante internamentos.
“Poder fazer exercício e conversar com as pessoas deixa-me mais relaxado e o meu corpo mais flexível. Graças a isso, tenho mais motivação para o tratamento”,disse o paciente Lai Duong Ca, de 70 anos, enquanto descrevia a experiência no serviço.
Os profissionais destacam que a maior parte dos utentes geriátricos sofre de múltiplas doenças e faz uso de vários fármacos, o que exige uma abordagem abrangente. Segundo a Dra. Doan Thi Thuy Linh, a intervenção geriátrica contempla aspectos físicos e mentais, com objectivos que ultrapassam o mero controlo sintomático: preservar a autonomia e a qualidade de vida é prioritário.
Especialistas sublinham que o paradigma da geriatria evoluiu. O professor Tran Huu Dang, presidente da Associação Vietnamita de Endocrinologia e Diabetes, afirmou que o foco actual é promover um envelhecimento saudável, incentivando os idosos a manterem actividades independentes e níveis de participação social que correspondam às suas capacidades.
Componentes do modelo
- Actividades de reabilitação em grupo sob supervisão de enfermeiros;
- Estimulação social e acesso a informação diária (televisão, jornais);
- Gestão multidisciplinar de doenças crónicas e polifarmácia;
- Articulação com associações profissionais para promoção da saúde do idoso.
O enfoque em funcionalidade tem implicações práticas e políticas: exige formação especializada, recursos humanos e estruturas que permitam intervenções integradas, bem como estratégias para transição entre cuidados hospitalares e comunitários. A experiência de Da Nang sugere que programas centrados na actividade e na participação podem aumentar a motivação dos doentes e ajudar a preservar capacidades físicas e cognitivas.
| Elemento | Objectivo |
|---|---|
| Exercício leve em grupo | Preservar mobilidade e flexibilidade |
| Socialização (leitura, TV) | Reduzir isolamento e estimular cognição |
| Gestão de polifarmácia | Minimizar riscos e optimizar terapêutica |
À medida que as populações envelhecem, modelos como o implementado em Da Nang podem servir de referência para políticas que conciliem cuidados de saúde com promoção da autonomia. A transposição destas práticas para outros contextos dependerá de investimento, formação e de uma visão centrada nas necessidades funcionais dos idosos — não apenas nas suas patologias.