A Direção‑Geral da Saúde (DGS) lançou esta semana três guias com orientações destinadas a minimizar os efeitos das vagas de calor sobre as populações mais vulneráveis, numa altura em que Portugal enfrenta episódios repetidos de temperaturas elevadas. Os documentos dirigem‑se a unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), respostas sociais, equipas de rua, profissionais de saúde e parceiros que acompanham pessoas em situação de sem‑abrigo.
Conteúdo e recomendações centrais
Os manuais reúnem medidas preventivas e práticas para reduzir o risco de desidratação e insolação, bem como orientações sobre alimentação segura durante ondas de calor. Entre as recomendações mais salientes está a ingestão regular de líquidos — nomeadamente a recomendação de beber pelo menos 1,5 litros por dia — mesmo quando não há sensação de sede, e a permanência em locais frescos ou com ar condicionado.
A DGS aconselha ainda a limitar a exposição solar direta, em particular entre as 11h00 e as 17h00, e a monitorizar sinais de alerta como tonturas, fraqueza, dores de cabeça, desorientação ou cãibras, que podem indiciar exaustão térmica ou outros quadros associados ao calor.
Proteção reforçada para pessoas em situação de sem‑abrigo
Um dos guias centra‑se nas pessoas sem‑abrigo, consideradas um dos grupos com maior vulnerabilidade durante as vagas de calor. O documento sublinha que, além da exposição direta às altas temperaturas, muitas destas pessoas vivem com doenças crónicas, fragilidade física, insegurança alimentar e dificuldades no acesso aos cuidados de saúde.
“Reforço das rondas das equipas de rua nos dias mais quentes, distribuição de água, sais de reidratação oral, roupa leve e chapéus”
Para mitigar estes riscos, a DGS recomenda o reforço das rondas das equipas de rua, a distribuição de água e sais de reidratação oral, a disponibilização de roupa leve e proteção solar, além da identificação de locais de sombra e espaços de arrefecimento. Os guias enfatizam a necessidade de coordenação entre autarquias, proteção civil, segurança social e serviços de saúde.
Orientação para instituições e profissionais de saúde
Outro dos documentos presta‑se como apoio técnico a unidades da RNCCI e respostas sociais, com orientações sobre organização de turnos, adaptação de espaços, medidas de alimentação segura e vigilância clínica dos utilizadores. Os profissionais são orientados a estar atentos a sinais de descompensação em doentes crónicos e a adotar medidas que reduzam a exposição térmica.
- Destinatários: RNCCI, respostas sociais, equipas de rua, profissionais de saúde e parceiros.
- Medidas-chave: hidratação (≥ 1,5 L/dia), permanecer em locais frescos, reduzir exposição entre 11h00–17h00.
- Ações específicas: reforçar rondas, identificar espaços de arrefecimento, articular respostas locais.
As publicações chegam num contexto de sucessivos episódios de calor extremo em várias regiões do país, que têm levado as autoridades a intensificar avisos e a promover medidas preventivas. A DGS recorda que os idosos, pessoas com deficiência e doentes crónicos figuram entre os grupos de maior risco e devem merecer atenção prioritária.
| Grupo | Medidas recomendadas |
|---|---|
| Idosos e doentes crónicos | Hidratação regular, permanecer em locais frescos, vigilância de sintomas |
| Pessoas sem‑abrigo | Rondas reforçadas, água e sais de reidratação, identificação de sombras/abrigo |
| Instituições (RNCCI, respostas sociais) | Adaptação de espaços, alimentação segura, planos de contingência |
As autoridades de saúde apelam a uma resposta articulada entre serviços locais e nacionais para proteger as populações mais vulneráveis e evitar complicações evitáveis ligadas ao calor. Os guias da DGS estão disponíveis para consulta e divulgação entre entidades parceiras e profissionais que lidam diretamente com estas populações.