Jornadas da ANESPO colocam a flexibilidade curricular no centro do debate
O ensino profissional volta ao primeiro plano esta semana. As Jornadas Pedagógicas da ANESPO, agendadas para os dias 9 e 10 de julho, reúnem em São Pedro do Sul cerca de 300 participantes — coordenadores, docentes, especialistas e responsáveis institucionais — para discutir como tornar as escolas profissionais mais flexíveis e inclusivas perante as exigências atuais da formação e do trabalho.
O encontro decorre na Escola de Turismo Dão Lafões e tem como lema:
“Ensino Profissional + Flexível + Inclusivo: com o CNQ e os CTE na bagagem”.
A sessão de abertura contará com o Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo. No segundo dia, está prevista a intervenção do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, num momento dedicado aos novos rumos para o setor, em conjunto com Amadeu Dinis, presidente da direção da associação organizadora.
Porquê agora: desafios pedagógicos, organizacionais e tecnológicos
As mudanças tecnológicas, a rápida evolução dos modelos de aprendizagem e a necessidade de requalificação constante pressionam as escolas profissionais a rever práticas, currículo e avaliação. O encontro pretende apoiar essa transição, com enfoque no Catálogo Nacional de Qualificações (CNQ) e nos Centros Tecnológicos Especializados (CTE), instrumentos que estruturam ofertas, perfis de saída e recursos para a aprendizagem aplicada.
No programa destacam-se a conferência inaugural de Guilherme Rocha (vogal do conselho diretivo do EduQA) — centrada na evolução do CNQ — e a apresentação do estudo “Educação + Inclusiva” por Paulo Pedroso, coordenador da avaliação da educação inclusiva no âmbito do programa Pessoas 2030. Ao longo dos dois dias, as sessões paralelas abordam linhas de trabalho essenciais para direções e equipas pedagógicas.
O que está em discussão nas escolas profissionais
- Novas qualificações do CNQ: atualização de perfis e unidades de competência alinhadas com necessidades do tecido produtivo.
- Planeamento curricular e aprendizagem integrada: articulação de disciplinas e contextos de trabalho para reforçar competências técnicas e transversais.
- Avaliação por evidências: valorização de portefólios, projetos e provas de desempenho alinhadas com resultados de aprendizagem.
- Centros Tecnológicos Especializados: papel dos CTE no acesso a equipamentos, metodologias e parcerias com empresas.
Para diretores e docentes, estes tópicos traduzem-se em decisões práticas: reorganizar horários e módulos, clarificar resultados de aprendizagem por unidade de competência, planear estágios e projetos integradores e definir critérios de avaliação que reconheçam desempenhos em contexto real.
Calendário, presenças e foco do encontro
| Quando | Onde | Participantes | Presenças confirmadas |
|---|---|---|---|
| 9–10 julho | São Pedro do Sul (Escola de Turismo Dão Lafões) | ~300 docentes, coordenadores e especialistas | Alexandre Homem Cristo (9/7) e Fernando Alexandre (10/7), com Amadeu Dinis |
Consequências para alunos e famílias
Uma maior flexibilidade curricular, se bem implementada, pode traduzir-se em percursos mais ajustados ao perfil de cada estudante, com unidades de competência claras, momentos de avaliação alinhados com o que se faz em oficina e em empresa, e transições mais fluidas para emprego ou continuação de estudos. Para as famílias, interessa acompanhar a forma como a escola comunica objetivos, estágios, projetos e critérios de avaliação: o foco em evidências ajuda a compreender o progresso do aluno de forma objetiva.
As escolas profissionais que adotem referências do CNQ de modo mais granular e articulem ofertas com os CTE tendem a ganhar clareza na certificação de competências e a reforçar ligações com o tecido económico local e regional. O debate destas Jornadas, ao agregar decisores e equipas técnicas, pode acelerar a atualização de práticas a nível nacional.
Próximos passos para as escolas
À saída do encontro, o essencial será traduzir orientações em planos de ação: identificação de qualificações prioritárias, mapeamento de unidades de competência, revisão de instrumentos de avaliação e formalização de parcerias com empresas e centros tecnológicos. O alinhamento com o CNQ e o aproveitamento da infraestrutura dos CTE são chaves para consolidar uma oferta responsiva e inclusiva.