Um mercado em crescimento impõe mudanças nas cadeias de entrega
Os mais recentes dados sobre o comércio eletrónico em Portugal confirmam que a dimensão e a maturidade do mercado estão a exigir transformações rápidas nas operações de entrega. Em 2025, o e‑commerce nacional registou um crescimento de 6,7%, com consumidores a gastar cerca de 12,9 mil milhões de euros online e um universo de 5,5 milhões de compradores, segundo o CTT E‑Commerce Report. Esses números ajudam a explicar por que o sector das entregas expresso se torna cada vez mais competitivo e orientado para a diferenciação pelo serviço.
Do lado das transportadoras e operadores logísticos, quatro vetores surgem com maior destaque: a expansão de redes de pontos de recolha e devolução, a automação e integração tecnológica, a personalização suportada por inteligência artificial e a aposta na sustentabilidade operacional. Cada um destes elementos contribui para melhorar a experiência do cliente e reduzir custos operacionais, mas também impõe investimentos e alterações nos modelos de negócio.
O que os consumidores exigem e as respostas do mercado
Os consumidores portugueses valorizam cada vez mais a conveniência. A preferência por recolher ou devolver encomendas em pontos próximos e com horários alargados tem crescido de forma significativa: o aumento registado na escolha do ponto de conveniência como primeira opção de entrega foi superior a 91%. Esta tendência alinha‑se com estilos de vida urbanos e com uma procura clara por flexibilidade nos momentos de entrega.
- Pontos de conveniência: expansão das redes físicas para recolha e devolução.
- Digitalização: visibilidade em tempo real e integração de sistemas para maior eficiência.
- Sustentabilidade: embalagens mais ecológicas, optimização de rotas e electrificação de frotas.
- Gestão de incidentes: capacidade de resolver problemas com rapidez para manter a confiança do cliente.
Para operadores como a Nacex Portugal, a capacidade de gerir imprevistos com rapidez e eficácia é um elemento distintivo da proposta de valor. Nesse sentido, a fiabilidade no cumprimento das promessas de entrega e a capacidade de resposta quando algo corre mal continuam a definir a perceção final do cliente.
“A flexibilidade na entrega consolidou‑se como um dos principais elementos diferenciadores... A digitalização das operações melhora a eficiência e permite oferecer serviços com uma visibilidade em tempo real cada vez mais precisa, reforçando a confiança do consumidor” — João Jales, Country manager da Nacex Portugal.
Impactos e desafios para as empresas e para as políticas públicas
A transição para modelos mais tecnológicos e sustentáveis cria oportunidades comerciais, mas também impõe desafios: investimento em infraestruturas e sistemas, adaptação de processos operacionais, recrutamento de competências digitais e, em alguns casos, revisão dos preços do serviço para acomodar custos adicionais. Ao mesmo tempo, há implicações para as políticas públicas, sobretudo em termos de ordenamento urbano, incentivos à electrificação de frotas e normas para embalagens sustentáveis.
Para os retalhistas e plataformas de e‑commerce, a conjugação entre oferta de conveniência, informação transparente durante todo o ciclo de entrega e práticas ambientalmente responsáveis tende a ser um factor decisivo na fidelização. No final, será a capacidade de conciliar rapidez, previsibilidade e menor impacto ambiental que definirá os vencedores num mercado onde a procura continua a aumentar.
| Indicador | Valor (2025) |
|---|---|
| Crescimento do e‑commerce | 6,7% |
| Gasto total online | 12,9 mil milhões € |
| Número de compradores online | 5,5 milhões |
| Aumento na escolha de pontos de conveniência | +91% |
O panorama é claro: empurrado por crescimento e por exigência do consumidor, o sector das entregas em Portugal está a evoluir para modelos mais flexíveis, tecnológicos e sustentáveis. A competição já não é apenas pelo preço ou pela rapidez, mas pela combinação de conveniência, fiabilidade e responsabilidade ambiental — factores que moldarão a experiência de compra online nos próximos anos.