Suplemento que ganhou popularidade fora dos ginásios
Nos últimos meses, a creatina deixou de ser vista apenas como suplemento de atletas de alta performance e de praticantes assíduos de musculação. Relatos pessoais e divulgação nas redes sociais fazem com que homens e mulheres a partir dos 40 anos recorram ao produto para combater a perda de massa muscular associada ao envelhecimento e para procurar ganhos de energia e função cognitiva.
Exemplos pessoais ilustram a tendência: uma utilizadora de 50 anos relata tomar diariamente 5 gramas de creatina e associa a suplementação a melhorias de força e sensação de revitalização, depois de alterações no desempenho físico e na memória que se manifestaram na casa dos quarenta.
O que se afirma e o que está comprovado
Entre as afirmações mais repetidas nas plataformas digitais destacam-se benefícios na força muscular, na composição corporal e em aspetos do desempenho cognitivo. Contudo, profissionais de saúde sublinham que há muita desinformação em torno do produto e que a generalização de prescrições não é adequada.
“Há muita desinformação. Parece que toda a gente deve tomar creatina e não é assim”
Especialistas apontam que a suplementação pode ser útil em contextos específicos — nomeadamente em programas de treino de força orientados e em pessoas com risco documentado de sarcopenia —, mas que a decisão deve assentar numa avaliação clínica prévia e na monitorização adequada.
Benefícios reivindicados versus riscos e precauções
- Benefícios relatados: aumento da força, melhor capacidade para treinos de resistência, possível contribuição para a manutenção de massa magra e relatos de melhoria subjectiva da memória.
- Limitações: evidência variável quanto aos efeitos cognitivos e eficácia dependente de dose, duração e do contexto de exercício.
- Precauções: necessidade de avaliação clínica, atenção a interações medicamentosas e monitorização em doentes com doenças renais ou outras comorbilidades relevantes.
| Item | Observação |
|---|---|
| Dosagem citada | 5 g/dia (relato de utilizadora de 50 anos) |
| Idade em foco | Adultos a partir dos 40 anos |
Do ponto de vista prático, a suplementação sem orientação pode levar a expectativas irreais e a riscos evitáveis. A recomendação profissional habitual é que a suplementação seja considerada quando integrada num plano global de exercício, nutrição e acompanhamento clínico.
Em conclusão, a popularidade crescente da creatina entre quem procura envelhecer de forma mais ativa torna urgente um trabalho de esclarecimento público e de formação aos profissionais de saúde para que prescrições e orientações sejam baseadas em avaliação individual e em evidência científica.