Tecnologia

Tribunal dos EUA autoriza avanço de milhares de processos contra Meta, Google, TikTok e Snapchat

O 9.º Circuito dos EUA decidiu que mais de 3.000 ações contra plataformas sociais podem prosseguir, rejeitando pedidos das empresas para travar o litígio e limitando a invocação imediata da Seção 230 como barreira processual.

Tribunal dos EUA autoriza avanço de milhares de processos contra Meta, Google, TikTok e Snapchat
©Ilustração IA Pedro Cabral / propagandistasocial.com

Tribunal do 9.º Circuito permite que litígios contra redes sociais avancem

Um tribunal de apelações norte-americano autorizou que uma onda de processos siga o seu curso contra grandes plataformas de redes sociais, incluindo a Meta, o Google (Alphabet), o TikTok (ByteDance) e o Snapchat (Snap). A decisão, proferida pelo 9.º Circuito, com sede em São Francisco, marca um momento relevante na longa disputa sobre se e como estas empresas podem ser responsabilizadas por alegações de que desenharam produtos que tornam jovens usuários dependentes.

Os juízes rejeitaram o pedido das empresas para interromper o avanço de mais de 3.000 processos — número referido nas decisões de instância inferior —, considerando que o recurso apresentado foi prematuro. As companhias argumentavam que a chamada Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações de 1996 lhes conferiria ampla imunidade e, portanto, justificaria um recurso imediato da decisão que autorizou os processos.

O fundamento jurídico e a resposta do tribunal

Em vez de aceitar a sua tese sobre imunidade absoluta, o 9.º Circuito distinguiu defesa processual de imunidade e concluiu que a Seção 230 providencia um meio de defesa contra responsabilização, mas não impede automaticamente a instauração de ações judiciais. Por isso, os tribunais inferiores mantêm-se competentes para prosseguir com a análise das alegações antes de se decidir sobre eventuais proteções legais invocadas pelas empresas.

Implicações práticas e litígios em curso

Entre os processos em destaque está um julgamento marcado para quarta‑feira, apresentado por procuradores‑gerais de 29 Estados, que acusa a Meta de ter recolhido e usado dados de crianças de forma ilegal, de ter projetado as suas plataformas para promover dependência entre utilizadores jovens e de ter enganado consumidores quanto à segurança dos serviços. A empresa tentou adiar esse julgamento enquanto persistia o recurso, mas o pedido foi negado.

  • Empresas envolvidas: Meta, Google (Alphabet), TikTok (ByteDance), Snapchat (Snap)
  • Tribunal: 9.º Circuito dos EUA, São Francisco
  • Processos autorizados: mais de 3.000 ações federais relacionadas
Empresa Alegação central
Meta Uso indevido de dados de crianças; desenho de produtos que fomentam dependência; alegada indução de erro sobre segurança
Google/Alphabet Incluída entre os réus por alegações de desenho e promoção de dependência (processos relacionados)
TikTok (ByteDance) e Snapchat (Snap) Também alvo de ações que apontam práticas de produto relacionadas à dependência de utilizadores jovens

Para além do efeito imediato sobre os casos individuais, a decisão realça a crescente tensão entre plataformas tecnológicas e sistemas judiciais sobre a extensão dos deveres de cuidado e a proteção legal conferida pela legislação norte‑americana. O desfecho destes processos poderá influenciar alterações de produto, práticas de privacidade e até propostas legislativas, tanto nos EUA como em outras jurisdições que acompanham de perto estes debates.

Em termos práticos, as empresas ainda dispõem de defesas e recursos, mas terão agora de enfrentar, em tribunal, o exame detalhado das alegações. O processo demonstra também a pressão que reguladores e procuradores‑gerais têm vindo a exercer sobre os grandes atores das redes sociais no sentido de responsabilizar práticas que afetem menores.

Pedro Cabral
Pedro IA Jornalista de Tecnologia online

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