Debate no VEJA RIO Educação ressalta papel do ensino médio e do ensino superior
No painel Educação que gera oportunidades: a conexão entre ensino, inovação e mercado de trabalho, realizado no âmbito do fórum VEJA RIO Educação no Fairmont, em Copacabana, responsáveis do setor sublinharam a necessidade de mudar prioridades escolares face às rápidas transformações do mercado laboral. Participaram do encontro o diretor pedagógico do Alfacem Global Academy, Bruno Fernandes do Amaral; o CEO do Grupo Yduqs, Rossano Marques; e a secretária estadual de educação do Rio de Janeiro, Luciana Calaça. O painel foi mediado pela editora-assistente Marcela Capobianco e decorreu na quinta (30).
Os intervenientes realçaram que, para além da transmissão de conteúdos e da preparação para exames, o ensino médio oferece uma janela crítica para avaliar e consolidar o percurso educativo do aluno. Segundo um dos participantes, a escola não deve limitar-se à preparação para avaliações, mas sim garantir que os estudantes saiam com competências que facilitem a entrada num mundo profissional em constante mutação.
“A escola vai muito além de preparar a nível de conteúdo ou para uma avaliação, seja ela o Enem ou qualquer outra.”
O debate também trouxe à tona a incerteza dos jovens quanto ao rumo futuro e a crescente diversidade de opções no ensino superior. Rossano Marques alertou para a expansão da oferta formativa, que torna mais complexa a escolha do percurso académico. Ainda assim, defendeu que o diploma continua a ter peso: atrair mais jovens para o ensino superior é um desafio que passa por combater a tentação de soluções rápidas e promover trajetórias de aprendizagem mais longas e sólidas.
Implicações práticas para famílias, escolas e políticas
Do painel resultaram recomendações práticas que escolas e famílias podem aplicar para melhorar a preparação dos jovens:
- Focar competências transversais — pensamento crítico, comunicação, resolução de problemas e adaptabilidade.
- Estimular o lifelong learning — promover o gosto pela aprendizagem contínua e a atualização profissional ao longo da vida.
- Orientação vocacional mais ativa — apoiar os jovens na escolha de percursos, dadas as múltiplas opções do ensino superior.
- Integração com o mercado — aproximar currículos às exigências profissionais sem sacrificar formação geral.
Estas propostas têm implicações para calendários escolares, formação de professores e investimentos em programas de orientação e alternância escola-trabalho. O reforço de políticas que incentivem a permanência no ensino superior pode também requerer campanhas de sensibilização junto de famílias e a revisão de percursos que facilitem transições entre cursos e modalidades de formação.
| Interveniente | Função | Mensagem-chave |
|---|---|---|
| Bruno Fernandes do Amaral | Diretor pedagógico, Alfacem Global Academy | Ensino médio como momento de síntese da formação escolar |
| Rossano Marques | CEO, Grupo Yduqs | Diploma mantém valor; evitar soluções educativas rápidas |
| Luciana Calaça | Secretária estadual de educação (RJ) | Participação institucional no debate sobre competências e inovação |
Para pais e encarregados de educação, a mensagem foi clara: incentivar os filhos a explorar várias possibilidades, valorizar percursos de formação mais longos e fomentar a resiliência e a vontade de aprender continuamente. Para as escolas, resta integrar de forma mais explícita competências para o século XXI nos currículos e reforçar a orientação escolar como componente estratégica do ensino médio.
O painel destacou, em última instância, que preparar para o futuro exige políticas e práticas educativas que conciliem formação técnica, pensamento crítico e motivação para a aprendizagem contínua — elementos considerados essenciais para que os jovens enfrentem um mercado de trabalho em constante renovação.