Diagnóstico detalhado aponta pontos críticos na circulação em bicicleta
Um levantamento técnico promovido pelo Automóvel Club de Portugal (ACP), utilizando a metodologia internacional CycleRAP, concluiu que a rede ciclável de Braga — com um total de 22,16 quilómetros analisados — contém uma proporção elevada de segmentos com risco significativo para os ciclistas. Do conjunto estudado, 42,9% dos percursos foram classificados como de risco elevado ou extremo, enquanto apenas 7,89% obtiveram avaliação de risco reduzido.
A investigação sublinha como principais causas da perigosidade a circulação em vias partilhadas com tráfego automóvel e a reduzida separação lateral entre bicicletas e veículos motorizados. No centro histórico, o tipo de pavimento — nomeadamente a calçada — é identificado como um fator que aumenta substancialmente o risco de quedas, sobretudo em condições de chuva. O estudo chama ainda a atenção para a necessidade de conciliar a intensa utilização pedonal dessas zonas com a circulação ciclável, sem comprometer a segurança dos peões.
- Rede analisada: 22,16 km
- Percursos de risco elevado/extremo: 42,9%
- Percursos de risco reduzido: 7,89%
- Conflitos veículo-bicicleta: níveis elevados em cerca de 38% da rede
O documento do ACP não se limita ao diagnóstico: foram também simulados cenários de intervenção em pontos críticos que demonstram como a melhoria da infraestrutura pode reduzir os níveis de risco em vários segmentos. Para além de identificar prioridades, a avaliação fornece estimativas do impacto esperado das soluções propostas, o que pode facilitar uma implementação faseada e mais segura da rede ciclável planeada para a cidade.
Para os utilizadores e moradores, as conclusões têm implicações imediatas: a necessidade de maior cuidado em troços partilhados com automóveis, sobretudo onde não existem separadores físicos, e atenção redobrada em piso de calçada durante chuva. Para os decisores municipais, o estudo oferece uma ferramenta objetiva para priorizar intervenções e justificar investimentos técnicos em separação de fluxos, melhoramento de pavimentos e medidas de acalmia de tráfego.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Extensão analisada | 22,16 km |
| Risco elevado/extremo | 42,9% |
| Risco reduzido | 7,89% |
| Conflitos veículo-bicicleta (alto risco) | ≈ 38% |
O ACP salienta que a metodologia CycleRAP é já referência internacional para avaliação da segurança na mobilidade ativa e permite comparar infraestruturas por critérios uniformes, fornecendo suporte técnico para políticas públicas. Em Braga, as conclusões deverão alimentar o debate sobre prioridades de investimento e o desenho de medidas que aumentem a segurança dos utentes mais vulneráveis.