Um estudo do Banco de Portugal relativo a 2025 colocou o distrito de Santarém entre os territórios do país com maior número de freguesias potencialmente vulneráveis no acesso a dinheiro físico. Segundo o supervisor, existem no distrito cinco freguesias em que o encerramento de uma agência bancária ou a retirada de um multibanco pode originar constrangimentos importantes para os habitantes.
O que significa ser uma freguesia vulnerável
O relatório considera vulneráveis territórios que ainda dispõem de um ponto de acesso a numerário, mas onde qualquer redução da rede poderá ter consequências relevantes, por exemplo devido ao elevado número de residentes ou à grande extensão da área coberta por uma única infraestrutura. Entre os critérios usados estão situações como ter um único ponto de acesso para, em média, quatro mil ou mais habitantes ou cobrir uma área igual ou superior a 150 km²; ou então ter pelo menos 1.500 residentes numa zona com 50 km² ou mais.
Ao nível nacional, o documento identificou 36 freguesias nesta condição. Santarém surge apenas atrás de Beja, com oito freguesias sinalizadas, e à frente de distritos como Castelo Branco (quatro) e Évora (três).
- 5 freguesias potencialmente vulneráveis no distrito de Santarém;
- 36 freguesias identificadas em todo o país;
- 1.241 freguesias sem qualquer ponto de acesso a numerário no final de 2025;
- Quase 700.000 pessoas obrigadas a deslocar-se para fora da freguesia para tratar de numerário.
| Distrito | Freguesias sinalizadas |
|---|---|
| Santarém | 5 |
| Beja | 8 |
| Castelo Branco | 4 |
| Évora | 3 |
| Portugal (total) | 36 |
O relatório do Banco de Portugal também quantifica o panorama da rede de numerário em Portugal: no final de 2025 existiam cerca de 18.000 pontos de acesso a dinheiro, dos quais aproximadamente 14.600 eram caixas automáticas, cerca de 2.700 agências com serviços de numerário e perto de 550 pontos de outra natureza.
Apesar das evidências sobre a redução de pontos de contacto, o regulador ressalva que a ausência de um equipamento no interior de uma freguesia não traduz obrigatoriamente uma limitação grave, uma vez que podem existir alternativas em localidades próximas. Ainda assim, o estudo chama atenção para 67 freguesias onde residem cerca de 16.000 pessoas que ficam a mais de 15 quilómetros do ponto de acesso mais próximo; em 15 desses territórios a distância média ultrapassa os 20 quilómetros.
Para os habitantes das freguesias sinalizadas no distrito de Santarém, estas conclusões abrem um conjunto de questões práticas: mobilidade até ao ponto de levantamento ou depósito, custos e inconvenientes associados às deslocações, e o impacto particularmente relevante sobre idosos ou pessoas com mobilidade reduzida. Autarquias e instituições locais terão de avaliar medidas de mitigação, como parcerias com entidades bancárias, reforço de serviços de proximidade ou a promoção de alternativas digitais quando adequadas.
O diagnóstico do Banco de Portugal sublinha uma tendência estrutural: a concentração de serviços e a diminuição de pontos físicos de acesso ao numerário colocam desafios de inclusão financeira que exigem respostas concertadas entre regulador, bancos e poderes locais.