O Goldman Sachs divulgou recentemente uma revisão das suas perspetivas para as grandes economias mundiais que coloca o foco em três vetores com impacto direto sobre Portugal: um abrandamento económico nos Estados Unidos e na China, a persistência de riscos para a inflação globais e a expectativa de taxas de juro mais altas na União Europeia.
Risco inflacionista e comunicação dos bancos centrais
Na nota de análise, o banco sublinha que, apesar de alguma melhoria recente da inflação, há fatores geopolíticos que podem inverter essa trajetória. Em particular, refere o risco associado à escalada do conflito com o Irão, que poderá traduzir‑se em pressões ascendentes sobre os preços e, consequentemente, sobre as probabilidades de aumentos adicionais das taxas pela Reserva Federal (Fed).
Mercado de trabalho nos EUA e implicações
O Goldman Sachs descreve o mercado laboral norte‑americano como «mais resiliente» do que antecipado no início do ano, embora com sinais de enfraquecimento. Como exemplo factualmente citado na sua nota, os Estados Unidos registaram em julho a perda de 23.000 postos de trabalho não agrícolas — o pior resultado mensal desde 2010 — mas a taxa de desemprego caiu de 4,2% para 4,1%.
| Indicador | Valor referido |
|---|---|
| Perda de postos de trabalho (julho, não agrícolas) | 23.000 |
| Taxa de desemprego (julho) | 4,1% (baixou de 4,2%) |
“Esperamos que a recente melhoria se mantenha, embora a reescalada da guerra com o Irão represente um renovado risco de subida para a inflação”
BCE e Europa: maior probabilidade de subida em setembro
Para a União Europeia, o banco considera que a recuperação nos preços da energia reforça a convicção de que o Banco Central Europeu (BCE) poderá voltar a subir taxas na reunião de setembro. Essa leitura altera a matriz de risco para economias da área do euro, incluindo Portugal, ao elevar a probabilidade de custos de financiamento mais elevados a curto e médio prazo.
Outros pontos de atenção
O relatório aborda ainda a sequência de mudanças na liderança e na governação dos bancos centrais — nomeadamente as task forces criadas na Fed com a chegada de Kevin Warsh — e aponta que há espaço para alterações nas comunicações e nos dados partilhados, mas prevê “alterações mais limitadas” ao nível do balanço. Relativamente ao Reino Unido, o banco avalia que as prioridades políticas do novo primeiro‑ministro Andy Burnham serão úteis, mas não transformarão de forma decisiva o crescimento.
- Perspetiva de abrandamento dos EUA e da China.
- Risco de subida da inflação ligado a tensões no Médio Oriente.
- Expectativa de aumento das taxas pelo BCE em setembro.
Para Portugal, a combinação de preços de energia em recuperação e a perspetiva de juros mais altos na zona euro reforça a necessidade de monitorização das condições de financiamento e dos indicadores de atividade no horizonte de curto prazo.