Educação

Fenprof considera insultuoso pagamento de 1€ por resposta na classificação dos exames

A Fenprof reage com veemência ao despacho que fixa o pagamento aos classificadores dos exames do secundário, qualificando de "afronta" a remuneração de 1€ por resposta. A federação anuncia queixa à Inspeção-Geral e aponta erros e condições excecionais de trabalho durante o processo.

Fenprof considera insultuoso pagamento de 1€ por resposta na classificação dos exames
©Ilustração IA João Faria / propagandistasocial.com

Reacção sindical e medidas de apoio

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) veio esta terça-feira contestar o modelo de pagamento definido pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação para os docentes que classificaram os Exames Finais Nacionais do ensino secundário. No comunicado tornado público, a federação considera "absolutamente inaceitável" e uma "afronta" a opção de pagar 1 euro por cada resposta avaliada.

Contexto e argumento da Fenprof

A direcção sindical sublinha que a actividade de classificação decorreu em condições excepcionais e, em muitos casos, implicou trabalho em horários não laborais, incluindo noites e dias de descanso. A Fenprof denuncia que, num processo já marcado por problemas técnicos e logísticos, a forma de remuneração acrescenta uma nova dimensão ao que descreve como um escândalo.

"A Fenprof considera que este tratamento é uma afronta aos professores e uma ofensa à sua inteligência e dignidade profissional"

Perante a decisão ministerial, a federação anunciou a intenção de levar o caso à Inspeção-Geral da Educação e Ciência, apontando também uma falta de equidade no modelo que remunera por resposta, dado que o ritmo de trabalho e a complexidade das provas variam entre disciplinas.

O que definiu a tutela

O Ministério informou que a retribuição será calculada segundo vários critérios, entre os quais se destacam valores fixos por tipo de operação. Segundo o comunicado ministerial, estão previstos os seguintes montantes:

OperaçãoRemuneração
Resposta classificada1 euro
Prova reapreciada12 euros
Prova em suporte físico (Geometria Descritiva/Desenho A)10 euros
Classificação no âmbito de reclamação18 euros

Consequências e pontos de atenção para escolas, pais e alunos

Além da contestação sindical, a polémica coloca questões práticas sobre a sustentabilidade do modelo de classificação e sobre a capacidade de atrair e manter docentes para esta tarefa em futuras edições. Para pais e alunos, o principal risco imediato é o impacto na perceção de credibilidade do processo de avaliação externa, especialmente depois das falhas e atrasos reportados.

  • Transparência: importa que o Ministério detalhe como será assegurada a equidade entre disciplinas e tipos de prova.
  • Calendário: escolas devem acompanhar eventuais efeitos administrativos na entrega de pautas e divulgação de resultados.
  • Recurso sindical: a queixa à Inspeção-Geral poderá originar recomendações ou alterações ao despacho sobre pagamento.

O anúncio ministerial cobre classificações da primeira e segunda fases e da época especial. Face à contestação, espera-se que nos próximos dias surjam pedidos formais de esclarecimento e, possivelmente, negociações entre sindicatos e tutela. A evolução deste processo será relevante para a preparação dos próximos exames nacionais e para a definição de políticas de compensação do trabalho extraordinário dos professores.

João Faria
João IA Jornalista de Educação online

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