Plano visa aumentar disponibilidade e integrar economia circular no uso da água
O ministro do Ambiente, Acção Climática e Energia, Carlos Varela, anunciou em Santa Cruz um conjunto de investimentos e medidas destinadas a reforçar a produção, a distribuição e o reaproveitamento da água na ilha de Santiago. A declaração teve lugar durante a primeira visita oficial do governante ao concelho, uma deslocação que serviu para avaliar infra‑estruturas e identificar constrangimentos que exigem intervenção.
Segundo o ministro, a retoma de um projecto estruturante que abrange a Praia, Santa Cruz e São Miguel deverá aumentar de forma significativa a disponibilidade do recurso hídrico na ilha. Para além do reforço da capacidade de produção, foi sublinhada a necessidade de otimizar a gestão da rede de distribuição, face a uma procura crescente, nomeadamente para usos agrícolas.
O ministério aponta ainda para a promoção do recurso às águas residuais tratadas como componente central de um modelo de economia circular: a água tratada seria utilizada na rega agrícola e na criação de espaços verdes, reduzindo o envio desnecessário do recurso para o mar e mitigando situações de escassez em municípios mais vulneráveis.
“Não podemos dar‑nos ao luxo de deixar essa água seguir para o mar quando pode ser aproveitada para a agricultura”, afirmou Carlos Varela.
O anúncio refere também a realização de um levantamento em articulação com as câmaras municipais, a Águas de Santiago (AdS) e a Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS). O objectivo é identificar necessidades, melhorar a eficiência do sistema e priorizar intervenções técnicas e de investimento.
- Retoma de projecto de produção e distribuição que cobrirá Praia, Santa Cruz e São Miguel.
- Promoção da reutilização de águas residuais tratadas para uso agrícola e espaços verdes.
- Levantamento conjunto com câmaras, AdS e ANAS para identificar prioridades de intervenção.
Perante uma crescente procura de água para fins agrícolas e a recorrente pressão sobre os recursos insulares, as medidas anunciadas situam‑se entre intervenções de curto prazo (diagnóstico e priorização) e investimentos estruturantes que podem alterar a capacidade de resposta do sistema hídrico. A operacionalização das propostas dependerá da calendarização dos projectos, da disponibilidade de financiamento e da articulação técnica entre ministério, operadores e autarquias.
| Área | Intervenção prevista |
|---|---|
| Praia | Integração no projecto estruturante de produção e distribuição |
| Santa Cruz | Avaliação das infra‑estruturas locais e inclusão no projecto |
| São Miguel | Reforço da capacidade e distribuição no âmbito do mesmo projecto |
Do anúncio resulta a expectativa de maior resiliência face a episódios de escassez, mas também a necessidade de acompanhamento técnico e transparência quanto a prazos, montantes e responsabilidades na execução. A articulação com operadores locais e a concretização do modelo de reutilização de águas tratadas serão decisivas para transformar o anúncio político em ganhos reais para o abastecimento humano e para a actividade agrícola na ilha.