Acusações do PCP colocam foco na gestão da água em Almada
A comissão concelhia do Partido Comunista Português (PCP) em Almada responsabilizou, esta sexta-feira, o PS e o PSD pela falha de investimento que, nas últimas semanas, resultou em cortes de água que têm vindo a condicionar o quotidiano da população do concelho.
Num comunicado divulgado pela estrutura local, os comunistas sublinham que os problemas recentes não são fruto apenas de incidentes pontuais, mas refletem uma tendência de menor investimento na captação e no reforço da rede face ao período em que a Câmara Municipal era gerida pela CDU.
"cortes de água que têm afetado muito as suas vidas"
O PCP recorda que, durante a gestão CDU entre 2010 e 2017, o investimento médio anual nos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) situou‑se em 6,4 milhões de euros. Já nos últimos oito anos em que PS e PSD integraram o conselho de administração dos SMAS, aponta o comunicado, o investimento médio anual foi de 4 milhões de euros, o que traduz, segundo os comunistas, uma redução acumulada de 19,2 milhões de euros face ao período anterior.
Para além dos valores financeiros, o PCP invoca dados técnicos da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR), que indicam que, nos últimos cinco anos, apenas foi reparado 0,3% da rede com mais de dez anos. Este parâmetro é usado para reforçar a ideia de que a manutenção e a renovação do sistema não têm acompanhado as necessidades.
Medidas e prioridades em debate
Os comunistas ressaltam ainda que, desde que a CDU assumiu a presidência dos SMAS, foram executados novos investimentos em captações: um furo de captação já em funcionamento, outro previsto para entrar em funcionamento até ao final de julho e o lançamento de procedimentos para mais três furos, um dos quais depende de autorização da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Estas observações colocam no centro do debate político local questões sobre prioridades de investimento, capacidade de planeamento e responsabilidades partilhadas na governação dos serviços públicos. A acusação do PCP implica uma leitura crítica do período em que PS e PSD integraram os órgãos de gestão dos SMAS entre 2018 e 2024, sugerindo que decisões dessa fase tiveram impacto direto na atual qualidade do abastecimento.
- Investimento médio (2010–2017, CDU): 6,4 milhões de euros/ano
- Investimento médio (últimos 8 anos, PS/PSD): 4 milhões de euros/ano
- Reparação da rede com >10 anos (últimos 5 anos): 0,3% segundo a ERSAR
| Período | Investimento médio anual |
|---|---|
| 2010–2017 (CDU) | 6,4 milhões € |
| Últimos 8 anos (PS/PSD) | 4 milhões € |
Enquanto o debate prossegue, as consequências práticas mantém‑se nos lares e nas empresas do concelho, que têm sentido as interrupções no fornecimento. A confrontação de leituras entre partidos e a invocação de relatórios regulatórios colocam à autoridade local e aos operadores a necessidade de clarificar prioridades de intervenção e um calendário de obras e autorizações que permita reduzir as falhas no serviço.
O episódio revela-se, assim, mais do que uma disputa de explicações: é um teste à transparência dos processos de decisão sobre infraestruturas essenciais e à capacidade dos atores locais em garantir água de qualidade e continuidade de serviço aos cidadãos de Almada.