Governo quer resolver falta de médicos de família com USF de gestão pública ou privada
O primeiro‑ministro, Luís Montenegro, afirmou esta terça‑feira, em Torres Vedras, que a prioridade do Governo é assegurar a presença de médicos de família nos centros de saúde, recorrendo à criação de Unidades de Saúde Familiares (USF) que podem ter gestão pública ou privada. A intervenção decorreu na inauguração da primeira USF do país com gestão privada, no Centro de Saúde de São Pedro da Cadeira.
“Não queria saber se a USF era pública ou privada, mas queria era o seu problema [falta de médico de família] resolvido.”
O executivo assume a premissa de que, independentemente da natureza da gestão, importa «resolver os problemas» e oferecer «soluções que sejam boas para as pessoas», procurando otimizar recursos e aumentar a eficiência no acesso aos cuidados primários. A iniciativa visa colmatar carências especialmente sentidas em regiões já identificadas como mais afetadas: o Oeste, o Algarve e a Área Metropolitana de Lisboa.
Contexto e justificações do Governo
A Constituição da República é invocada pelo primeiro‑ministro como enquadramento para o princípio de acesso universal e gratuito aos cuidados de saúde. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, explicou que o atraso na implementação do modelo teve mais a ver com a necessidade de definir o modelo de financiamento e os contratos‑programa, bem como com procedimentos administrativos e pareceres do Tribunal de Contas, do que com falta de verba.
Segundo a ministra, estão previstas 10 USF com gestão privada no país. O processo, recordou, foi anunciado em 2024 e, apesar de desejada uma implementação mais rápida, implicou fases preparatórias que se prolongaram para definição de regras e concursos públicos.
Implicações práticas e pontos a vigiar
- Possível aumento da oferta de consultas de família em zonas com maior carência de médicos.
- Necessidade de clarificar o modelo de financiamento e as salvaguardas para garantir o acesso universal.
- Risco de divergências locais sobre gestão e coordenação entre entidades públicas e privadas.
A abertura da primeira USF com gestão privada marca uma etapa simbólica e operacional na estratégia do Governo para reforçar a resposta dos cuidados primários. Resta observar como se traduzirão, na prática, as metas de acesso e continuidade dos cuidados nas regiões mais afetadas e se a opção por gestão privada trará ganhos efetivos de rapidez e eficiência sem comprometer a equidade no acesso.
| Item | Dados |
|---|---|
| USF com gestão privada previstas | 10 |
| Regiões mencionadas como mais fustigadas | Oeste; Algarve; Área Metropolitana de Lisboa |