O Ministério da Educação afirmou que o país concluiu um longo ciclo de ampliação do acesso à escola e de melhoria dos indicadores escolares, e que a próxima fase da política pública terá foco na aprendizagem dos alunos. Em entrevista, o ministro Leonardo Barchini disse que o objetivo do governo é «elevar a proficiência dos alunos» e que a expansão do ensino em tempo integral será a principal estratégia para atingir essa meta.
Por que priorizar o tempo integral
Segundo o ministro, o Brasil conseguiu avanços simultâneos na última década: aumento do acesso, redução dos problemas de fluxo escolar e melhoria nos níveis de proficiência medidos pelo Ideb. Com esse ciclo encerrado, o esforço passa a concentrar-se em consolidar e elevar a qualidade da aprendizagem. A ampliação do tempo escolar é considerada fundamental porque permite mais horas de atividades pedagógicas, projetos interdisciplinares e acompanhamento individualizado.
“Para a gente conseguir evoluir na aprendizagem é fundamental que a gente aumente o tempo na escola. É por isso que o tempo integral é uma das estratégias”, afirmou Leonardo Barchini.
Recursos e condições para a expansão
O ministério justifica a viabilidade da expansão do tempo integral em dois fatores apontados como favoráveis: a redução gradual do número de estudantes, devido ao fim do bônus demográfico, e o crescimento dos recursos do Fundeb acima da inflação. Com esses elementos, o governo estima que será possível atender uma fatia significativamente maior da procura por tempo integral.
- Estado actual: cerca de 25% das escolas públicas oferecem ensino em tempo integral.
- Meta: expandir a oferta para entre 50% e 60% da procura existente.
- Estratégia: combinar mais horas de ensino com políticas de apoio técnico e financiamento.
| Indicador | Valor referido |
|---|---|
| Escolas com tempo integral (actual) | 25% |
| Objetivo de cobertura | 50–60% |
O ministério apresenta a expansão do tempo integral como uma resposta técnica à necessidade de «elevar a proficiência», sem prescindir de um plano nacional que articule práticas pedagógicas, garantia de recursos e distribuição progressiva das vagas. A matéria será um eixo central das próximas políticas e deverá requerer coordenação com estados e municípios para ajustar infraestrutura, horários e contratos de docentes.
Para pais e encarregados de educação, a mudança implica acompanhar calendários futuros de implementação nas suas redes e preparar-se para eventuais mudanças na rotina escolar dos alunos, incluindo horário e oferta de actividades complementares. Para as escolas, a expansão exigirá planeamento de pessoal, formação docente e adaptações físicas e administrativas.
A mensagem central do ministério é que, tendo alcançado melhorias no acesso e no fluxo escolar, o país concentra agora esforços em melhorar o que se aprende dentro da escola — e o tempo integral surge como a aposta principal para concretizar esse objectivo.