Investimentos visam aumentar a resiliência hídrica da região
Uma comitiva liderada pela Ministra do Ambiente e Energia, Professora Doutora Maria da Graça Carvalho, marcou no dia 8 de julho o arranque simbólico de etapas relevantes para a gestão da água no Algarve. A visita concentrou-se em duas respostas estruturais: a expansão do sistema de Água para Reutilização (ApR) e o avanço da futura Estação Dessalinizadora de Água do Mar do Algarve (EDAM).
Na ETAR de Vilamoura foi apresentado o Sistema de Água para Reutilização, cuja função é tratar águas residuais para tornar esse recurso adequado a usos não potáveis, como a rega de espaços verdes e campos de golfe. Este tipo de solução pretende reduzir a pressão sobre as reservas de água destinadas a consumo humano e integrar-se numa estratégia mais ampla de gestão integrada.
- Água para Reutilização: transforma e certifica efluentes para aplicações não potáveis.
- Dessalinização: criação da EDAM como fonte alternativa, independente da precipitação.
- Objetivo: aumentar a robustez do sistema multimunicipal face a períodos de seca.
A visita ao local previsto para construção da EDAM incluiu uma ação simbólica — a colocação da chamada "Carta do Futuro" e do "Primeiro Tijolo" — que assinalou o início formal da empreitada. A estação de dessalinização é apresentada como um investimento estratégico, concebido para reforçar a capacidade de abastecimento público da região.
As autoridades destacaram que a dessalinização não é apresentada como substituta das medidas de eficiência hídrica. Pelo contrário, a estratégia enfatiza a combinação de várias soluções: redução de perdas, poupança, reutilização de águas tratadas e melhoria da eficiência de consumo, complementadas por uma origem de água operacionalmente controlável.
| Projeto | Função | Impacto esperado |
|---|---|---|
| Água para Reutilização (ApR) | Tratar e reutilizar águas residuais | Menor pressão sobre águas potáveis; usos não potáveis assegurados |
| Estação Dessalinizadora (EDAM) | Produzir água potável a partir do mar | Fonte alternativo e resiliente ao clima; reforço do abastecimento público |
O anúncio sublinha uma visão de política hídrica que privilegia a multiplicidade de soluções em vez de escolhas exclusivas. A combinação de reutilização e dessalinização — acompanhada de medidas de eficiência e redução de perdas — é apresentada como caminho para aumentar a resiliência do Algarve perante a crescente incerteza climática.
Do ponto de vista técnico e político, o desafio passa por integrar estas infraestruturas num planeamento que equilibre custos, benefícios ambientais e operacionais, garantindo simultaneamente a sustentabilidade do abastecimento para os municípios e a preservação dos recursos hídricos.