Concurso em contínuo visa respostas mais céleres à falta de docentes
O Governo aprovou esta quarta‑feira um novo modelo de recrutamento de professores que funcionará em regime contínuo, com o objetivo de permitir a colocação mais rápida e eficiente de docentes nas escolas. A medida foi anunciada pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, no final da reunião do Conselho de Ministros que julgou também outros diplomas para preparar o ano letivo de 2026/2027.
"uma colocação mais rápida e eficiente dos professores"
O novo procedimento concursal integra o processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), negociado desde o ano passado com as estruturas sindicais representativas dos docentes. Segundo o ministério, o mecanismo em contínuo permitirá responder com maior agilidade às necessidades das escolas ao longo do ano escolar, evitando longos períodos sem docentes em turmas ou disciplinas críticas.
O que muda na prática
- Funcionamento em contínuo: o concurso deixará de ser estritamente sazonal, permitindo colocações ao longo do ano;
- Integração no ECD: o novo processo faz parte da revisão do Estatuto da Carreira Docente, negociado com sindicatos;
- Medidas complementares: no mesmo pacote legislativo foi aprovado o alargamento da proibição do uso de telemóveis do 1.º ao 9.º ano dentro das escolas.
O ministério afirma que o modelo terá efeitos imediatos na capacidade de resposta das escolas, reduzindo lacunas curriculares provocadas por faltas prolongadas de docentes e potenciando uma gestão mais dinâmica dos quadros de escola. Ainda assim, detalhes operacionais sobre a calendarização das colocações, critérios de prioridade e transição do sistema atual para o contínuo deverão ser divulgados em diplomas subsequentes ou notas técnicas do Ministério.
Proibição de telemóveis e preparação do ano letivo
Para além do concurso, o Governo aprovou o alargamento da proibição da utilização de smartphones ao 3.º ciclo, o que significa que o uso de telemóveis ficará vedado dentro das escolas para alunos do 1.º ao 9.º anos. A medida pretende homogenizar regras disciplinares e promover um ambiente escolar com menos distrações digitais.
| Medida | Âmbito |
|---|---|
| Concurso de professores em contínuo | Colocações permanentes ao longo do ano letivo |
| Proibição de telemóveis | Alunos do 1.º ao 9.º ano (inclui 3.º ciclo) |
Para pais, encarregados de educação e direções escolares, as principais consequências práticas a vigorar serão:
- expectativa de menor demora na cobertura de turmas sem docente;
- necessidade de atualização interna de regulamentos escolares sobre telemóveis e dispositivos digitais;
- aguardar orientações do Ministério sobre critérios de colocação e transição do novo concurso.
O Executivo sublinha que estas decisões fazem parte de um conjunto de medidas destinadas a assegurar uma preparação atempada do ano letivo de 2026/2027. As escolas e agrupamentos devem acompanhar as comunicações oficiais do Ministério nos próximos dias para procedimentos concretos de aplicação e prazos.
José Manuel Pinto de Sousa, secretariado nacional de um dos sindicatos de docentes, e outras estruturas representativas têm estado em negociações com o Ministério desde 2025 sobre o ECD; o novo concurso surge como elemento central dessa revisão, embora as organizações sindicais continuem a acompanhar a publicação dos diplomas para avaliar impactos laborais e garantias de estabilidade profissional.