O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, disse esta sexta-feira que o executivo está disponível para executar alterações nos orçamentos regionais com o objetivo de disponibilizar mais fundos para a construção do novo Hospital Central e Universitário da Madeira e para a Unidade de Saúde do Porto Santo.
Realidade financeira e prioridades
Albuquerque explicou que a decisão reflecte a necessidade de «lidar com a realidade» dos custos de construção, que aumentaram substancialmente desde as estimativas iniciais. O governante afirmou que, apesar de preferir que a obra fosse mais económica, as circunstâncias internacionais — nomeadamente o encarecimento de materiais e da mão de obra — impõem uma resposta prática por parte do executivo.
“Temos de lidar com a realidade, não com aquilo que a gente quer”
O líder regional realçou que o Governo da República mantém o compromisso de cofinanciar a obra em 50%, num acordo que o executivo regional considera essencial para viabilizar o projecto.
Montantes e fases conhecidas
O concurso internacional para a terceira e última fase da construção foi lançado em julho, com um valor-base de 415 milhões de euros, o que eleva o custo total do hospital para cerca de 515 milhões de euros. A estimativa inicial, de 2018, situava o investimento em cerca de 350 milhões de euros.
| Elemento | Valor |
|---|---|
| Estimativa inicial (2018) | 350 milhões € |
| Concursos – fase final | 415 milhões € |
| Custo total previsto | 515 milhões € |
| Unidade de Saúde do Porto Santo | 35,5 milhões € |
Quanto à obra no Porto Santo, Albuquerque informou que a segunda fase está prestes a arrancar e que o custo estimado foi revisto para 35,5 milhões de euros, ou seja, um acréscimo de 17,5 milhões relativamente ao valor inicialmente previsto. A nova unidade deverá entrar em funcionamento no verão de 2028 e inclui, entre outras valências, uma ala de cuidados continuados com 20 camas.
Impactos locais e medidas expectáveis
Na prática, a disponibilidade para remanejar dotação orçamental significa que o executivo pode reduzir intervenções ou postergar projectos menos prioritários para canalizar recursos para os dois equipamentos de saúde. O presidente do Governo sublinhou que ambos são «prioridades máximas da região» e justificou os cortes pontuais pela necessidade de assegurar a sua conclusão.
- O Estado compromete-se a cobrir metade do investimento do Hospital Central;
- O aumento dos custos é atribuído, pelo executivo, à subida generalizada de preços de materiais e mão de obra;
- A Unidade de Saúde do Porto Santo tem arranque da segunda fase previsto para breve e abertura em 2028.
Para os residentes da Madeira e de Porto Santo, as decisões orçamentais que se seguirem poderão alterar a calendarização de outras obras públicas e serviços locais. O Governo regional terá de justificar ajustes nas rubricas do orçamento, mantendo a transparência sobre que intervenções serão afectadas para garantir que a conclusão dos novos equipamentos hospitalares não compromete a resposta a outras necessidades básicas da população.