Fortalecimento da rede complementar de cuidados
O Governo dos Açores canalizou, em 2025, 22 milhões de euros para convenções no âmbito do Serviço Regional de Saúde, um montante que representa um acréscimo de 3,2 milhões de euros relativamente a 2024. Segundo a nota do executivo, este instrumento possibilitou a realização de cerca de 2,5 milhões de exames e tratamentos por entidades privadas e outras unidades convencionadas, complementando a oferta pública.
O financiamento por convenções pretende reforçar a capacidade de resposta, a proximidade e a equidade no acesso aos cuidados, além de reduzir o recurso direto das famílias a despesas de saúde. No entanto, a secretária regional da Saúde e Segurança Social sublinhou que, em sectores como a imagiologia, as entidades privadas nem sempre conseguem suprir a procura devido à dificuldade em contratar médicos especialistas.
Áreas com maior volume de serviços
Os dados divulgados pelo Governo Regional detalham as áreas onde se concentram os maiores volumes de atos e o correspondente investimento:
- Análises clínicas: cerca de 1,8 milhões de exames, com um custo aproximado de 7,6 milhões de euros;
- Medicina Física e Reabilitação: cerca de 523 mil atos, totalizando cerca de 5 milhões de euros;
- Imagiologia: cerca de 89 mil exames, correspondendo a um investimento de 4,4 milhões de euros.
| Área | Atos/exames | Investimento (aprox.) |
|---|---|---|
| Análises clínicas | ~1.800.000 | ~7,6 M€ |
| Medicina Física e Reabilitação | ~523.000 | ~5,0 M€ |
| Imagiologia | ~89.000 | ~4,4 M€ |
O Executivo justificou a atualização dos valores pagos às entidades privadas em imagiologia e medicina física e reabilitação — uma revisão que não ocorria desde 2014 — como necessária para manter a adesão desses parceiros e assegurar a continuidade dos serviços convencionados.
Analistas e responsáveis pela gestão do serviço público destacam que as convenções podem aliviar pressões imediatas sobre os tempos de espera e os orçamentos familiares, mas sublinham também riscos de dependência de capacidade privada e a necessidade de monitorização rigorosa dos custos e dos resultados clínicos.
Ao tornar público o valor e a distribuição dos atos, o Governo Regional coloca em cima da mesa a questão da sustentabilidade e da organização dos cuidados nos arquipélagos, que exigem soluções adaptadas à dispersão geográfica e às limitações de recursos humanos especializados.